País estima que volume de baterias usadas ultrapasse 1 milhão de toneladas por ano até 2030 e cria regras para rastrear, reutilizar e reciclar os componentes
O avanço dos carros elétricos na China começa a criar um novo desafio para o país: o destino das baterias que chegam ao fim de sua utilização nos veículos. As autoridades chinesas estimam que o volume de baterias usadas ultrapasse 1 milhão de toneladas por ano até 2030, contra cerca de 200 mil toneladas retiradas de circulação em 2020.
A preocupação acompanha o crescimento acelerado dos veículos de novas energias, categoria que inclui carros elétricos a bateria e híbridos plug-in. Segundo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT), a produção e as vendas desses veículos superaram 16 milhões de unidades em 2025, representando mais da metade das vendas de veículos novos no país. A meta de Pequim é elevar essa participação para 70% até 2030.
As baterias sofrem degradação ao longo dos anos e, quando sua capacidade cai para determinados níveis, podem deixar de ser adequadas para uso em automóveis. Isso não significa necessariamente que tenham chegado ao fim da vida útil: dependendo das condições, os componentes ainda podem ser destinados a aplicações de segunda vida ou à recuperação de materiais. Quando descartadas ou manipuladas de forma inadequada, porém, podem apresentar riscos de incêndio e liberar materiais potencialmente perigosos.
O problema também envolve recursos estratégicos. Baterias de veículos elétricos contêm materiais como lítio, níquel, cobalto e manganês, que podem ser recuperados e retornar à cadeia produtiva. Para a China, ampliar a reciclagem significa não apenas reduzir os riscos associados ao descarte, mas também preservar parte desses materiais dentro de sua própria indústria.
Para controlar esse fluxo, novas regras chinesas entraram em vigor em 1º de abril. Uma das medidas determina que veículos elétricos desmontados sem a bateria de tração sejam considerados veículos incompletos. A intenção é impedir que os componentes sejam desviados para oficinas não autorizadas, canais informais ou aterros ilegais.
O governo também criou um sistema de identificação e rastreamento das baterias. Cada unidade deverá receber uma identidade digital e ser acompanhada por uma plataforma nacional desde a fabricação até etapas como venda, reparo, desmontagem e reciclagem. Fabricantes e importadores terão responsabilidades sobre as baterias colocadas no mercado chinês, enquanto empresas autorizadas ficarão encarregadas das operações de reutilização e reciclagem em larga escala.
As regras ainda estabelecem que fabricantes e importadores mantenham pontos de serviço relacionados à reciclagem nas regiões onde comercializam seus produtos. As empresas também deverão receber baterias provenientes de operações de leasing, troca e reparo, sem poder recusá-las. A regulamentação, porém, ainda está sendo desenvolvida para abranger de forma específica os veículos que utilizam sistemas de troca de baterias.
O desafio não está apenas na capacidade de recuperar os materiais. A indústria chinesa também precisa ampliar a infraestrutura de coleta e reciclagem e lidar com os riscos de incêndio, os custos de desmontagem e a diversidade de projetos utilizados pelos fabricantes. Segundo dados citados pelo CarNewsChina, algumas empresas já conseguem recuperar até 96,5% do lítio e 99,6% do níquel, cobalto e manganês presentes nas baterias.
O novo plano da indústria chinesa de baterias para 2026 a 2030 amplia essas exigências. O documento prevê que as empresas criem sistemas de coleta proporcionais ao volume de baterias comercializado e estimula a implantação de estruturas de reciclagem nos principais mercados de exportação. O planejamento também inclui um sistema de passaporte de baterias e o compartilhamento de informações sobre a pegada de carbono dos componentes.
Paralelamente, a China pretende reduzir a velocidade com que as baterias chegam ao fim de sua utilização. O plano prevê o desenvolvimento e a produção em larga escala de baterias totalmente de estado sólido até 2030, além de baterias de lítio capazes de suportar até 15 mil ciclos de carga e descarga. A estratégia combina, assim, maior durabilidade dos componentes com rastreamento, reutilização e recuperação dos materiais quando eles finalmente deixarem de ser usados nos veículos.
Fonte: Xataka Brasil / Xataka Espanha / Xinhua / Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) / CnEVPost / CarNewsChina



