Sem tomada em casa, carro elétrico pode perder parte da vantagem econômica

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Moradores de condomínios sem infraestrutura para recarga precisam recorrer a eletropostos, aumentando custos e exigindo planejamento da rotina

A falta de infraestrutura para recarga residencial pode se tornar um dos principais obstáculos para quem pretende comprar um veículo elétrico no Brasil. Motoristas que vivem em condomínios sem vagas fixas, tomadas disponíveis ou instalações elétricas preparadas precisam depender de eletropostos públicos e semipúblicos, o que muda tanto o custo de utilização do veículo quanto a rotina de recarga.

O professor Fábio Delatore, da pós-graduação em veículos elétricos do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), avalia que a possibilidade de carregar o automóvel em casa tem impacto direto na economia proporcionada pela mobilidade elétrica. Na residência, a energia utilizada para abastecer a bateria é cobrada pela tarifa convencional de eletricidade, geralmente mais barata do que a recarga comercial.

Nos eletropostos, além do custo da energia, entram na conta despesas relacionadas à operação da infraestrutura, à instalação e manutenção dos equipamentos e, principalmente, aos carregadores rápidos em corrente contínua (DC). As empresas também podem incluir margens de operação e taxas de conveniência. Com isso, a diferença de custo em relação aos combustíveis convencionais pode diminuir.

O tempo é outro fator que precisa ser considerado. A rede brasileira já ultrapassou 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga, mas a distribuição dos equipamentos e a disponibilidade de carregadores rápidos variam entre as regiões. Os aparelhos em corrente alternada (AC), mais lentos, podem exigir várias horas para completar uma recarga, fazendo com que o motorista precise conciliar a permanência do veículo conectado com outras atividades.

Para quem roda poucos quilômetros por dia, essa rotina pode ser administrada com recargas semanais ou até mais espaçadas, dependendo da autonomia do veículo. Já motoristas que percorrem distâncias maiores diariamente podem enfrentar maior dependência dos eletropostos, incluindo espera por equipamentos disponíveis em períodos de maior movimento e eventual perda de tempo durante o carregamento.

Nos condomínios residenciais, a instalação de carregadores envolve desafios técnicos e administrativos. O projeto pode exigir aprovação em assembleia, medição individualizada do consumo e avaliação da capacidade elétrica do edifício. Dependendo das condições da instalação existente, também pode ser necessário reforçar a infraestrutura para evitar sobrecarga na rede interna.

Por isso, a existência de um local adequado para carregar o veículo deve entrar na avaliação antes da compra de um elétrico. Autonomia, tipo de conector, localização dos eletropostos e tempo necessário para cada recarga são fatores que passam a fazer parte do planejamento de uso. Para quem não tem acesso à recarga noturna em casa, a escolha do modelo e a disponibilidade de infraestrutura próxima ganham importância ainda maior.

Fonte: Electric News / Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)

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