Volkswagen avalia cortar 100 mil empregos e fechar quatro fábricas na Alemanha

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Plano em discussão pode atingir quase um sexto da força de trabalho global da montadora e ampliar a reestruturação iniciada para enfrentar concorrência chinesa e pressão sobre os negócios

A Volkswagen avalia ampliar significativamente o programa de redução de custos e poderá eliminar até 100 mil postos de trabalho em suas operações globais. O número representa cerca de um sexto dos 625 mil funcionários do grupo e, caso seja confirmado e executado integralmente, colocaria o plano entre os maiores cortes de empregos já registrados no setor corporativo.

A proposta também prevê mudanças na estrutura industrial da empresa na Alemanha. Quatro unidades estariam sob avaliação para encerramento da produção: as fábricas da Volkswagen em Emden, Zwickau e Hannover e uma unidade da Audi em Neckarsulm. As medidas fazem parte de uma estratégia conduzida pelo CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, para tornar a companhia mais enxuta e concentrar investimentos no negócio automotivo.

O novo número supera o programa anunciado anteriormente pela Volkswagen, que previa a eliminação de 50 mil postos até 2030. Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, a montadora considera medidas mais abrangentes diante da combinação de tarifas norte-americanas, tensões geopolíticas e avanço das fabricantes chinesas no mercado europeu. Dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) indicam que os veículos chineses representaram um em cada dez carros novos vendidos na região nos cinco primeiros meses de 2026.

A Volkswagen já vinha negociando cortes com sindicatos e representantes dos trabalhadores. Em 2024, a empresa chegou a um acordo para reduzir pessoal e produção em território alemão, mas programas anteriores acabaram sendo amenizados após as negociações. A dimensão dos novos cortes, portanto, ainda depende das discussões internas e das instâncias de governança do grupo.

A companhia não confirmou os números divulgados pelo Financial Times. Em resposta ao jornal, afirmou que as questões ainda estão sendo discutidas e que serão submetidas aos órgãos competentes antes de qualquer anúncio. O plano de fechamento das fábricas havia sido inicialmente revelado pela revista alemã Manager Magazin. A reportagem também informa que os detalhes deveriam ser apresentados ao conselho fiscal em reunião marcada para 9 de julho.

Se concretizado, o programa superaria cortes históricos realizados por grandes empresas. A General Motors eliminou cerca de 74 mil postos de trabalho na década de 1990, enquanto a IBM anunciou a redução de mais de 60 mil funcionários em 1993. No caso da Volkswagen, a reestruturação ocorre em meio à tentativa de reduzir a complexidade do grupo e concentrar seus recursos na atividade automotiva.

Fonte: Terra, Financial Times e Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea)

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