Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Indústria fabricou 271,1 mil unidades em agosto, enquanto importações cresceram 29,8% no acumulado do ano, puxadas pelos modelos chineses
A indústria automotiva brasileira fechou agosto de 2026 com o melhor resultado mensal de produção desde outubro de 2019, período anterior à pandemia de Covid-19. Foram fabricados 271,1 mil veículos no país, volume 9,6% superior ao registrado em agosto do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, a produção chegou a 1,898 milhão de unidades, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O desempenho acompanha o crescimento das vendas de veículos novos. Os emplacamentos somaram 1,975 milhão de unidades nos oito primeiros meses de 2026, alta de 18,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, o resultado da produção também foi influenciado pela fabricação nacional de modelos em sistemas CKD e SKD, que responderam por cerca de dois terços do crescimento registrado.
O cenário, entretanto, não é uniforme entre os diferentes segmentos. As vendas de caminhões continuam abaixo do resultado do ano anterior. Entre janeiro e agosto, foram emplacadas 70,7 mil unidades, contra 74,3 mil no mesmo período de 2025, uma retração de 4,9%. Segundo a Anfavea, juros elevados e a insegurança dos investidores continuam dificultando a recuperação do mercado de veículos pesados.
Os programas de incentivo governamental Move Brasil I e II contribuíram para diminuir o ritmo da queda no segmento de caminhões durante o primeiro semestre, mas, na avaliação da entidade, ainda não foram suficientes para indicar uma recuperação consistente. O comportamento do setor de pesados segue, portanto, diferente do observado no mercado geral de veículos novos.
Ao mesmo tempo em que a produção nacional avançou, o país ampliou significativamente a entrada de veículos fabricados no exterior. As importações alcançaram 406,7 mil unidades de janeiro a agosto, alta de 29,8% sobre as 313,3 mil registradas no mesmo período do ano passado.
A China foi responsável por mais da metade desse volume, com 221,2 mil veículos enviados ao mercado brasileiro nos oito primeiros meses de 2026. Segundo a Anfavea, os modelos chineses já correspondem a aproximadamente 11% de todo o mercado brasileiro de carros novos, reforçando a presença das fabricantes do país asiático no mercado nacional.
Fonte: Terra/Anfavea



