Gordura da picanha pode virar combustível para caminhões; entenda como funciona

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Caminhão VW Constellation usado pela JBS no transporte de gado vivo também é abastecido com 100% de biodiesel.

JBS já rodou mais de 500 mil quilômetros com caminhão abastecido com B100 produzido a partir de sebo bovino e óleo de cozinha usado

A gordura bovina que sobra da produção de carne pode ter um destino bem diferente do prato do consumidor: virar combustível para caminhões. A JBS já percorreu mais de 500 mil quilômetros com um caminhão extrapesado DAF abastecido exclusivamente com B100, biodiesel produzido pela subsidiária Biopower a partir de sebo bovino, óleo de cozinha usado e outros resíduos orgânicos.

O caminhão realiza diariamente o trajeto entre Lins, no interior de São Paulo, e o Porto de Santos, transportando cargas destinadas à exportação. Segundo a JBS, o veículo percorre trechos com aclives e declives acentuados e alcançou a marca de 500 mil quilômetros sem registrar falhas no motor ou desgaste anormal dos componentes, mesmo utilizando biodiesel puro.

O combustível é produzido por meio do processamento de gorduras de origem animal e vegetal. Após passar por etapas de transformação, purificação e filtragem, o biodiesel é armazenado para abastecimento. A matéria-prima inclui o sebo bovino proveniente da própria cadeia produtiva da JBS e óleo de cozinha usado, transformando resíduos em uma nova fonte de energia.

Apesar dos resultados obtidos pela empresa, o uso de B100 exige cuidados específicos. O biodiesel pode absorver água e apresentar matéria orgânica que, quando armazenada de maneira inadequada, pode provocar formação de depósitos e borra, prejudicando componentes do sistema de alimentação. Por isso, a qualidade do armazenamento é fundamental para evitar problemas.

Em condições convencionais, veículos que utilizam biodiesel puro podem exigir adaptações em componentes como mangueiras, válvulas e sistemas de gerenciamento do combustível. No caso do DAF utilizado pela JBS, entretanto, a empresa afirma que não foi necessária nenhuma adaptação mecânica para rodar com B100.

O abastecimento é realizado em um ponto instalado no complexo da JBS em Lins, que a empresa identifica como o primeiro ponto de abastecimento de biodiesel 100% homologado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O chamado “bioponto” possui duas bombas e capacidade para armazenar até 46 mil litros.

Vista aérea da usina de biodiesel da Biopower em Mafra, Santa Catarina, onde a JBS usa resíduos animais e óleo de cozinha usado para produzir biodiesel.

Segundo a JBS, o uso do B100 produzido a partir de resíduos permite reduzir em aproximadamente 90% as emissões de carbono em comparação com o diesel fóssil. A companhia também investiu mais de R$ 140 milhões na modernização e ampliação das usinas da Biopower em Lins (SP), Mafra (SC) e Campo Verde (MT) e prevê alcançar capacidade de produção de 650 milhões de litros de biodiesel até o fim de 2026.

Fonte: Estadão/JBS

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