Vice-presidente da XPeng prevê desaparecimento de montadoras que não acompanharem avanço da tecnologia

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Executivo compara transformação da indústria automotiva à revolução dos smartphones e diz que fabricantes precisarão dominar carros, inteligência artificial e manufatura avançada

Muitas montadoras que existem atualmente podem não sobreviver aos próximos anos. O alerta foi feito pelo vice-presidente da XPeng, Dr. Brian Gu, ao analisar as transformações provocadas pela eletrificação, pela inteligência artificial e pela crescente presença de tecnologia nos automóveis. Para o executivo, as fabricantes precisarão deixar de ser apenas empresas automotivas e passar a atuar também como companhias de tecnologia.

Segundo Gu, o desafio será dominar simultaneamente a produção de veículos e o desenvolvimento de sistemas tecnológicos. Isso inclui inteligência artificial, software, dispositivos inteligentes e processos avançados de fabricação. O executivo comparou o atual momento da indústria automotiva à transformação provocada pelos smartphones, quando diversas marcas tradicionais perderam espaço ou desapareceram diante de empresas que conseguiram se adaptar à nova realidade tecnológica.

A mudança ocorre em um momento de forte disputa no mercado automotivo chinês, que enfrenta excesso de capacidade produtiva e uma quantidade cada vez maior de modelos. Mesmo com queda de aproximadamente 20% nas vendas da XPeng na China no primeiro semestre de 2026, em relação ao mesmo período de 2025, o país registrou cerca de 650 lançamentos de modelos no ano. Para Gu, entretanto, parte desses lançamentos corresponde apenas a atualizações de veículos já existentes, e não necessariamente a produtos capazes de conquistar participação significativa de mercado.

A pressão também atinge fabricantes tradicionais. Na Europa, a Volkswagen enfrenta um processo de reestruturação que envolve redução de custos, cortes de empregos e fechamento de unidades industriais, enquanto busca responder à concorrência das fabricantes chinesas. Em outros mercados, marcas tradicionais também passam por dificuldades para manter suas operações e estruturas de distribuição.

Diante da saturação do mercado doméstico, as fabricantes chinesas passaram a acelerar a expansão internacional. A XPeng é um exemplo desse movimento: as entregas internacionais da empresa cresceram 126% entre 2024 e 2025. A marca também trabalha para ampliar sua presença em mercados como a Austrália, após problemas enfrentados anteriormente com um importador independente.

O movimento também alcança a América do Sul. A XPeng prepara sua entrada no mercado brasileiro, com expectativa de iniciar a comercialização de veículos no país em 2027. A chegada de mais uma fabricante chinesa deve aumentar a disputa no segmento de elétricos e colocar pressão adicional sobre marcas tradicionais, especialmente em tecnologia, preço, autonomia, sistemas de assistência à condução e conectividade.

A avaliação de Brian Gu representa, portanto, mais do que uma previsão sobre a sobrevivência de determinadas marcas. Ela revela uma disputa pela própria definição do que será uma montadora no futuro: uma empresa que fabrica automóveis ou uma companhia de tecnologia capaz de colocar inteligência artificial, software e serviços digitais sobre quatro rodas. Para o executivo, quem não conseguir atuar nessas duas frentes poderá perder espaço — ou simplesmente deixar de existir.

Fonte: Terra / XPeng / Financial Times

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