Chineses pressionam locadoras e mercado de seminovos no Brasil

0
29

O avanço das marcas chinesas no mercado brasileiro, com veículos mais tecnológicos e preços competitivos, começa a provocar um efeito em cadeia no setor automotivo, chamado de “Carpocalypse”. O fenômeno pressiona os preços dos carros seminovos, reduz margens de revendedores e aumenta o desafio das locadoras para preservar o valor de suas frotas.

Segundo Rodrigo Manzan, head de Frotas da Indicata Brasil, a chegada de novos modelos estabelece referências de preços mais baixas. Com isso, veículos usados precisam ser reprecificados para continuar competitivos. O problema aparece quando empresas ainda possuem estoque adquirido por valores mais altos: manter o preço pode dificultar a venda, enquanto reduzir o valor diminui a margem de lucro.

O impacto não significa necessariamente uma crise generalizada, mas uma fase de forte reprecificação de ativos. O consumidor passou a comparar veículos seminovos diretamente com modelos zero-quilômetro mais equipados e baratos, aumentando a pressão sobre os preços dos usados. Empresas menores, com estoques caros, menor giro e maior endividamento, tendem a ficar mais expostas.

Para as locadoras, a estratégia envolve analisar o custo total de propriedade, a confiabilidade, a aceitação dos modelos e principalmente o chamado valor residual — quanto o veículo poderá valer quando sair da frota. Nesse cenário, dados sobre manutenção, quilometragem, sinistros, utilização e comportamento de revenda se tornam ferramentas importantes para decidir quais veículos comprar, por quanto tempo mantê-los e quando desmobilizá-los.

A Localiza afirma utilizar escala, tecnologia e dados para reduzir os riscos. A empresa cita, por exemplo, a aquisição de 10 mil veículos da BYD após mais de um ano de testes, que permitiram avaliar custos de manutenção, aceitação dos clientes e depreciação. No segundo trimestre de 2026, a companhia vendeu um recorde de 92 mil carros no canal de seminovos, reduzindo a idade média dos veículos comercializados para 19 meses.

A movimentação mostra como a entrada dos fabricantes chineses pode afetar não apenas as vendas de carros novos, mas também a locação, o mercado de usados e a estratégia de formação das frotas. Para as empresas, a capacidade de prever a depreciação e vender os veículos no momento adequado pode ser decisiva para preservar as margens em um mercado cada vez mais competitivo.

Fonte: Terra / Indicata Brasil / Localiza

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here