Um estudante brasileiro de 17 anos integrou a equipe vencedora da International Space Settlement Design Competition (ISSDC), competição internacional de engenharia aeroespacial realizada nos Estados Unidos. Eduardo Taliberti Salvio participou, ao lado de outros 7 brasileiros e estudantes de diferentes países, do desenvolvimento da Hermes, uma nave conceitual projetada para transportar até 3 mil pessoas entre assentamentos do Sistema Solar interior.
A final reuniu 238 estudantes de 16 países. Durante aproximadamente 48 horas, os participantes foram divididos em companhias aeroespaciais fictícias e precisaram desenvolver uma proposta completa, considerando aspectos como estrutura, operações, automação, fatores humanos e custos.
A equipe formada pelos brasileiros e estudantes estrangeiros recebeu o nome de Rockdonell. O projeto Hermes foi escolhido como a melhor proposta da edição de 2026, garantindo a medalha de ouro aos 8 brasileiros que participaram da equipe vencedora.
Projeto começou com uma colônia em Vênus
A participação brasileira na competição começou meses antes da final. Para conquistar a classificação, estudantes da Astrabrazil desenvolveram o V02, conceito de expansão de uma colônia flutuante na atmosfera de Vênus.
A proposta considera sistemas automatizados para uma estrutura localizada nas camadas superiores da atmosfera venusiana. A ideia se relaciona a estudos que analisam a possibilidade de utilizar habitats aerostáticos em altitudes de aproximadamente 50 quilômetros, onde as condições de pressão e temperatura são menos extremas do que na superfície do planeta.
Cinco integrantes do grupo — Catharina Mercaldi, Davi Rothenberg, Gustavo Luz, Luiza Dell Amore e Rafael Mayo — cursavam o 3º ano do Ensino Médio no Colégio Bandeirantes. Juliana Frota, Guilherme Hadid e Eduardo Taliberti Salvio completavam a equipe brasileira.
Engenharia sob pressão
Na etapa final, os estudantes precisaram transformar conceitos de ficção científica em um projeto técnico em prazo extremamente curto. A Rockdonell reuniu participantes do Brasil, África do Sul, Austrália, China, Reino Unido e Estados Unidos.
A Hermes foi concebida para realizar o transporte de até 3 mil moradores entre diferentes assentamentos do Sistema Solar interior. Para isso, os estudantes precisaram definir não apenas as características da nave, mas também como ela seria operada e quanto custaria.
Segundo Eduardo Taliberti Salvio, a experiência mostrou que um dos maiores desafios da engenharia está na coordenação entre pessoas e áreas diferentes, e não apenas nos cálculos.
A ISSDC busca justamente reproduzir esse ambiente de pressão. A competição é organizada pela Aerospace Education Competitions e reúne estudantes do ensino médio em equipes que funcionam como empresas aeroespaciais fictícias.
Embora conte com apoio da NASA e tenha parte da programação realizada no Kennedy Space Center Visitor Complex, a competição não é organizada pela agência espacial americana.
Ideias que podem antecipar a exploração espacial
Projetos como a Hermes são conceituais e não representam uma nave pronta para construção. Ainda assim, a competição coloca estudantes em contato com problemas semelhantes aos enfrentados pela engenharia aeroespacial: transporte de grandes populações, infraestrutura, automação, segurança, custos e organização de habitats fora da Terra.
A trajetória dos brasileiros também mostra como competições educacionais podem servir como porta de entrada para áreas de alta complexidade tecnológica. Antes de chegar à final nos Estados Unidos, o grupo trabalhou com um conceito de colonização de Vênus e depois participou de uma equipe internacional responsável por projetar uma nave para milhares de passageiros.
Fonte: Agência Correio; Aerospace Education Competitions; NASA.



