Brasil vira segunda casa da Royal Enfield

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Ian Gavan/Getty Images por Royal Enfield | Siddhartha Lal, chairman da Eicher Motors (grupo que controla a Royal Enfield)

O Brasil se consolidou como o maior mercado da Royal Enfield fora da Índia e passou a ocupar posição estratégica nos planos globais da fabricante de motocicletas. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, o chairman da Eicher Motors, Siddhartha Lal, afirmou que o país é hoje a “segunda casa” da marca, conceito que envolve investimentos em produção, rede, pós-venda, distribuição e relacionamento com os motociclistas.

A Royal Enfield chegou ao Brasil em 2017, inicialmente com uma estratégia de expansão gradual. Segundo Lal, a empresa preferiu conhecer o mercado e o comportamento do consumidor brasileiro antes de ampliar sua presença, evitando uma entrada acelerada que pudesse comprometer a operação no longo prazo.

Os resultados mostram a importância crescente do país para a fabricante. Dados citados pela Forbes indicam que a Royal Enfield emplacou 31.077 motocicletas em 2026, alcançando a sexta posição entre as marcas mais vendidas do Brasil. Nos segmentos em que atua, a empresa também ganhou espaço, com modelos como a Hunter 350 e a Himalayan entre os destaques.

Para Lal, Brasil e Índia compartilham características importantes no mercado de duas rodas. Ambos possuem uma grande quantidade de motocicletas de baixa cilindrada utilizadas diariamente, mas parte desses consumidores passa a buscar modelos maiores, voltados também ao lazer, ao estilo e à experiência de pilotagem.

A estratégia da Royal Enfield está concentrada justamente no segmento de média cilindrada, entre 250 cc e 750 cc. Globalmente, a marca vendeu cerca de 1,2 milhão de motocicletas no último ano e detém aproximadamente 89% do mercado indiano nessa faixa de cilindrada.

O crescimento da operação brasileira também deve ganhar um novo capítulo em 2027. Siddhartha Lal confirmou que a Royal Enfield pretende iniciar as atividades de sua própria fábrica de montagem em Manaus no próximo ano, o que deverá permitir à empresa responder mais rapidamente ao mercado brasileiro e ampliar sua presença no país.

Além dos modelos movidos a combustão, a fabricante também estuda oportunidades no segmento elétrico. A empresa apresentou no Brasil protótipos da linha Flying Flea e pretende avaliar a aceitação do público antes de avançar com uma estratégia comercial. Lal, no entanto, afirmou que a eletrificação não representa, para a companhia, uma substituição imediata das motocicletas tradicionais.

Segundo o executivo, as motos elétricas podem abrir espaço especialmente para o uso urbano, enquanto os motores a gasolina continuarão fazendo parte dos investimentos da Royal Enfield. A limitação atual das baterias para longas distâncias ainda é um dos desafios apontados pela empresa.

A aposta no Brasil, portanto, vai além do aumento das vendas. A intenção, segundo Siddhartha Lal, é transformar a presença da Royal Enfield no país em uma operação cada vez mais integrada ao mercado e à cultura do motociclismo brasileiro.

Fonte: Forbes Brasil

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