No Dia Mundial do Biodiesel o destaque foi o avanço da produção no Brasil

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O Dia Mundial do Biodiesel, celebrado em 10 de agosto, marca um episódio ocorrido em 1893, na cidade alemã de Augsburg, quando o engenheiro Rudolf Diesel conseguiu movimentar pela primeira vez um motor a combustão abastecido com óleo de amendoim, combustível de origem vegetal. O experimento, realizado depois de testes com diferentes óleos, está relacionado à técnica de transesterificação, atualmente utilizada na produção industrial do biodiesel.

O motor desenvolvido por Diesel foi patenteado em 1897 e apresentado oficialmente à comunidade internacional na Feira Mundial de Paris, em 1898. Mais de 130 anos depois, a data passou a ser referência para discussões sobre o papel dos biocombustíveis na matriz energética mundial, área em que o Brasil ocupa posição de destaque.

O país é atualmente o segundo maior produtor de biodiesel do mundo e adota uma das maiores proporções de mistura obrigatória do biocombustível. Essa característica contribui para reduzir a exposição do mercado brasileiro às oscilações internacionais de preços de energia.

Desde o início das recentes tensões no Oriente Médio, o preço do diesel no Brasil acumulou alta de aproximadamente 20%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O aumento, de acordo com o texto, foi inferior aos avanços de 30% a 40% registrados nos Estados Unidos no mesmo período.

Apesar da relevância do biodiesel na matriz brasileira, o país ainda importa cerca de 25% do diesel fóssil que consome, o que reforça a importância do fortalecimento da produção nacional do biocombustível. Em 2025, a produção brasileira de biodiesel chegou a 9,84 milhões de metros cúbicos, o maior volume já registrado, segundo a ANP.

A indústria tinha, no mesmo ano, capacidade instalada de 15,6 milhões de m³, indicando espaço para ampliar a produção. O setor, porém, enfrenta o desafio de aumentar a eficiência, enquanto entidades como a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) projetam continuidade do crescimento nos próximos anos, acompanhando a expansão progressiva das misturas obrigatórias.

Nesse cenário, os insumos utilizados na transesterificação, processo que transforma óleos e gorduras em biodiesel, ganham importância estratégica. A quantidade adequada de catalisador influencia diretamente o rendimento da reação e a qualidade final do combustível, segundo Alejandro Bossio, diretor de Negócios para Químicos Monômeros na América do Sul da BASF.

A empresa produz metilato de sódio, catalisador utilizado nessa reação, em uma unidade localizada em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, com capacidade aproximada de 90 mil toneladas por ano. A produção nacional de insumos considerados críticos é apontada como uma forma de reduzir a dependência de importações, melhorar a previsibilidade logística e diminuir os riscos provocados por instabilidades externas.

O aumento da eficiência também está relacionado à agenda de sustentabilidade, uma vez que processos mais eficientes podem reduzir desperdícios, consumo de energia e emissões, reforçando o biodiesel como uma alternativa de menor intensidade de carbono.

Outra frente de descarbonização envolve o uso do B100, combustível composto integralmente por biodiesel e sem componente fóssil. A BASF mantém, em parceria com a Ambipar, um projeto-piloto que utiliza um caminhão movido exclusivamente a B100 para transportar metilato de sódio.

A iniciativa busca avaliar, em escala comercial, a viabilidade operacional de veículos pesados abastecidos integralmente com biodiesel e integra as ações da companhia voltadas à redução da pegada de carbono nas rodovias brasileiras.

Fonte: ElectricNews

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