Superiates premiados revelam nova tendência entre bilionários

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Os maiores iates de luxo do mundo estão passando por uma transformação. Em vez de priorizar apenas tamanho e sofisticação, os proprietários bilionários têm demonstrado interesse crescente por tecnologias sustentáveis, autonomia para longas expedições e projetos voltados a experiências exclusivas. Essa mudança ficou evidente durante o World Superyacht Awards 2026, considerado a principal premiação da indústria náutica, realizada em maio, em Veneza, na Itália.

O grande vencedor da edição foi o Breakthrough, um superiate de 118,8 metros construído pelo estaleiro holandês Feadship. A embarcação recebeu o prêmio de Motor Yacht of the Year e também venceu a categoria de melhor displacement yacht acima de 5.000 GT. O principal diferencial do projeto é ser o primeiro superiate equipado com células de combustível movidas a hidrogênio líquido, tecnologia apontada como um marco para a redução das emissões no setor náutico.

Segundo Caroline White, editora da BOAT International, organizadora da premiação, o Breakthrough representa uma mudança importante na indústria por apostar em combustíveis de nova geração. Ela afirma que o proprietário da embarcação aceitou assumir um elevado investimento para impulsionar a discussão sobre soluções mais sustentáveis para os superiates. A executiva também destacou características como a sala subaquática Nemo, o desenho com linhas curvas e o projeto que separa os fluxos de circulação do proprietário, dos hóspedes e da tripulação.

A cerimônia também premiou outras embarcações de destaque. O veleiro Aquarius, de 65 metros, construído pela Royal Huisman, foi eleito o Sailing Yacht of the Year. Já o Dolce, um explorer yacht de 43,9 metros, recebeu o Voyager’s Award após percorrer mais de 40 mil milhas náuticas. Outro reconhecimento foi concedido, de forma póstuma, ao bilionário de Singapura Goh Cheng Liang, fundador da White Rabbit Yachts, homenageado com o Legacy Award.

De acordo com Caroline White, os resultados da premiação refletem uma mudança no perfil dos compradores de embarcações de luxo. Em vez de utilizarem os superiates apenas como símbolo de status, muitos proprietários passaram a buscar embarcações capazes de realizar expedições de longa distância, transportar equipamentos de aventura, helicópteros e até submarinos. A tendência é confirmada pelo relatório Global Order Book, da BOAT International, que registra 101 explorer yachts com mais de 24 metros atualmente em construção ou encomendados em todo o mundo. Dois desses modelos, o Haze2, de 30,8 metros, e o RJ, de 46,71 metros, ambos produzidos pelo estaleiro italiano Cantiere delle Marche, figuraram entre os premiados deste ano.

Além da tecnologia de propulsão limpa, o Breakthrough reúne soluções voltadas ao conforto e à privacidade. O projeto prevê quatro suítes com varandas deslizantes, configuração flexível para até 15 suítes de hóspedes, além de uma piscina de contracorrente com fundo de vidro instalada sobre a área de spa e o beach club da embarcação. Outro destaque foi o Seawolf, originalmente lançado em 1957 como rebocador oceânico e posteriormente transformado em iate de luxo após um amplo processo de modernização conduzido pelo estaleiro Pendennis.

Entre os premiados também está o Valor, um iate da Feadship com 79,5 metros e classificação Ice Class, vencedor da categoria destinada a embarcações entre 1.500 GT e 2.499 GT. Inspirado nos navios de guerra da Segunda Guerra Mundial, o modelo combina robustez estrutural com soluções modernas voltadas ao mercado de luxo.

Para os especialistas da indústria, a edição de 2026 do World Superyacht Awards mostra que o mercado de alto padrão passa por uma mudança de prioridades, em que inovação tecnológica, sustentabilidade e capacidade de exploração ganham espaço diante da tradicional busca por embarcações cada vez maiores e mais luxuosas.

Fonte: Forbes Brasil.

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