As mudanças na mobilidade urbana das grandes cidades brasileiras estão deixando de ser apenas uma preocupação dos gestores públicos para se tornarem um elemento estratégico nas decisões das empresas. Novos acessos a aeroportos, ampliações de linhas de metrô, alterações viárias, serviços de transporte por aplicativo e rotas alternativas passaram a influenciar diretamente os custos, a produtividade e a eficiência das viagens corporativas, exigindo das organizações um planejamento cada vez mais detalhado dos deslocamentos profissionais.
O tema ganhou relevância diante do crescimento contínuo do turismo de negócios no Brasil. De acordo com dados do Ministério do Turismo, com base em levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), o segmento movimentou R$ 12,7 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, registrando avanço em relação ao mesmo período do ano anterior. Os serviços aéreos responderam por 55% do faturamento total, enquanto a hotelaria ampliou sua participação para 32,5% das despesas, após crescimento superior a 16% em novembro de 2025.
Segundo o diretor da Live Viagens, Thiago Marteletto, muitas empresas ainda mantêm hábitos antigos e continuam utilizando trajetos tradicionais sem avaliar mudanças recentes na infraestrutura urbana que poderiam gerar economia de tempo e recursos. Para ele, acompanhar a evolução da mobilidade tornou-se uma necessidade estratégica, já que alterações em sistemas de transporte impactam diretamente a previsibilidade das agendas e a experiência dos colaboradores.
A importância do tema fica ainda mais evidente diante dos desafios enfrentados pelos grandes centros urbanos brasileiros. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) realizado em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte mostrou que a mobilidade urbana continua sendo um dos principais gargalos dessas cidades. A pesquisa atribuiu ao transporte notas médias inferiores a 5,5 em uma escala de 0 a 10, enquanto mais de 60% dos entrevistados classificaram a qualidade dos deslocamentos como ruim ou apenas regular.
Na prática, os impactos recaem diretamente sobre as empresas. Atrasos em reuniões, aumento de custos operacionais, períodos de ociosidade, desgaste físico e estresse dos colaboradores são alguns dos efeitos provocados por viagens mal planejadas. Por outro lado, uma logística estruturada permite maior previsibilidade, melhora o aproveitamento do tempo e contribui para que os profissionais mantenham o foco nos objetivos da viagem.
Especialistas destacam que a gestão moderna de viagens corporativas vai muito além da compra de passagens aéreas ou da reserva de hotéis. Hoje, fatores como tempo de deslocamento até aeroportos, integração entre modais, condições de trânsito, custos indiretos, segurança e alternativas de transporte local precisam ser considerados na elaboração dos roteiros corporativos.
O avanço da tecnologia também tem desempenhado papel importante nesse processo. Estudos recentes apontam que a utilização de inteligência artificial, business intelligence (BI) e ferramentas de automação vem transformando a gestão de viagens em uma atividade cada vez mais estratégica. Segundo o Anuário Panrotas de Viagens Corporativas e Eventos 2026, cerca de 72% dos viajantes corporativos esperam experiências personalizadas e alinhadas ao seu estilo de trabalho, enquanto 80% das empresas globais deverão incorporar IA generativa aos seus fluxos de atendimento até o final de 2026.
A evolução do setor ganhou força principalmente após a pandemia, quando empresas passaram a analisar com mais rigor os custos e o retorno dos deslocamentos profissionais. Nesse contexto, as viagens deixaram de ser vistas apenas como despesas operacionais e passaram a integrar as estratégias de crescimento, relacionamento comercial e tomada de decisão. Pesquisas indicam que 90% dos profissionais que viajam frequentemente a trabalho consideram essas viagens um investimento estratégico ou uma necessidade operacional essencial, enquanto 84% acreditam que encontros presenciais são mais eficazes do que reuniões virtuais.
Para especialistas do setor, a tendência é que a mobilidade urbana tenha peso cada vez maior na competitividade das empresas. Organizações que monitoram mudanças em infraestrutura, revisam rotas frequentemente e utilizam ferramentas tecnológicas para otimizar deslocamentos tendem a reduzir custos e aumentar a produtividade de suas equipes. Em um mercado de viagens corporativas em expansão, a logística deixou de ser um detalhe operacional para se transformar em um componente decisivo da estratégia empresarial.
Fonte: Terra Notícias





