Uma análise aprofundada sobre a segurança viária no Brasil propõe uma mudança estrutural na forma como o país diagnostica e combate a violência nas estradas, apontando que as deficiências de engenharia e sinalização podem ser mais determinantes para a letalidade do trânsito do que a conduta dos motoristas. Especialistas técnicos do setor de transporte e mobilidade sustentável sustentam que a infraestrutura pode estar pesando mais que a imprudência nas mortes em rodovias, desafiando a premissa tradicional de que o erro humano ou o desrespeito às leis de trânsito configuram a causa quase exclusiva da maioria absoluta dos sinistros fatais registrados anualmente na malha rodoviária do país.
O levantamento estatístico e técnico joga luz sobre o conceito de “rodovias tolerantes”, defendido por engenheiros de tráfego internacionais, que prevê a construção de vias projetadas para perdoar falhas humanas previsíveis por meio de dispositivos físicos de proteção. Nas rodovias brasileiras, contudo, a persistência de trechos com traçados sinuosos obsoletos, pistas simples sem barreiras físicas divisórias, ausência de acostamentos pavimentados, buracos profundos e deficiências severas na sinalização vertical e horizontal transformam pequenos erros de condução em tragédias irreversíveis. Técnicos do setor apontam que a responsabilização massiva e exclusiva da imprudência do condutor serve, muitas vezes, para desviar o foco da necessidade urgente de investimentos governamentais e privados robustos na modernização e na correção geométrica da malha asfáltica nacional.
O diagnóstico reforça que a redução efetiva dos índices de mortalidade rodoviária depende da superação de gargalos de engenharia civil e de um monitoramento rigoroso das condições de manutenção das concessões públicas e estradas estatais. O debate promovido por entidades voltadas à segurança viária e ao trânsito destaca que, enquanto o país insistir em focar as políticas públicas prioritariamente no caráter punitivo da fiscalização comportamental, os indicadores de letalidade permanecerão elevados nos pontos críticos onde as falhas de desenho da pista induzem ou agravam os acidentes. A transformação do ambiente viário em um espaço seguro e autoexplicativo é apontada como o principal mecanismo estrutural para preservar vidas e garantir a eficiência logística do transporte rodoviário no território nacional.
Fonte: Portal do Trânsito





