O seguro de motocicletas deixou de ser considerado um produto restrito a poucos consumidores e passou a atrair novos públicos no Brasil, impulsionado por opções mais baratas e coberturas adaptadas às necessidades dos motociclistas. Segundo a Porto Seguro, produtos com preços reduzidos fizeram com que nove em cada dez clientes contratassem uma apólice pela primeira vez, em um momento de crescimento do mercado de motos no país.
A mudança ocorre em meio à expansão do segmento de motocicletas, que passou a registrar forte participação no mercado brasileiro. De acordo com dados citados pela reportagem, o setor superou os automóveis em número de emplacamentos durante cinco meses consecutivos, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Um dos exemplos desse movimento é o Azul Moto Compacto, modalidade de seguro lançada pela Porto Seguro com valor entre 20% e 30% menor que um seguro tradicional. Segundo a empresa, 90% dos clientes desse produto estão contratando um seguro de moto pela primeira vez. A redução do preço foi possível por meio de uma proposta mais simples, com utilização de peças novas de reposição em vez de peças genuínas, mantendo coberturas para colisão, roubo, furto e incêndio.
Para Jaime Soares, diretor de Produtos Auto da Porto Seguro, a iniciativa busca mudar a percepção de que o seguro para motocicletas é sempre caro e inacessível. Segundo o executivo, atualmente existem desde produtos mais básicos, com algumas limitações, até opções completas que incluem proteção para equipamentos e viagens internacionais.
O crescimento do mercado também levou seguradoras a ampliarem suas estruturas de atendimento. Segundo Rodrigo Herzog, diretor de Sinistros Auto da Porto Seguro, os emplacamentos de motos cresceram 15% em 2026 em relação ao ano anterior, e o segmento passou a exigir operações especializadas.
Outro fator que contribuiu para tornar os seguros mais competitivos foi a redução nos índices de roubos e furtos. Conforme levantamento da Porto Seguro, a frequência desses crimes contra motocicletas caiu entre 35% e 40% na Região Metropolitana de São Paulo no primeiro quadrimestre de 2026. Entre motos de maior cilindrada, a redução ultrapassou 40%.
A seguradora também ampliou sua rede especializada para atender motociclistas. A estrutura de oficinas referenciadas passou de cerca de 130 unidades para mais de 390, além da criação de equipes formadas por peritos, inspetores e analistas especializados exclusivamente em motos.
Entre as novidades está a possibilidade de incluir no seguro equipamentos utilizados pelos motociclistas, como capacetes, jaquetas, botas e luvas. Segundo a reportagem, a cobertura surgiu após a identificação de dois fatores: motociclistas que investem valores elevados em equipamentos de proteção e pedidos frequentes de indenização desses itens durante processos de sinistro.
De acordo com a empresa, os gastos com equipamentos de proteção para motociclistas de alta cilindrada podem ultrapassar R$ 20 mil, considerando itens como capacetes, jaquetas, botas e roupas técnicas.
Os dados de utilização do seguro também mostram que os principais acionamentos não estão relacionados apenas a acidentes ou roubos. Segundo informações fornecidas pela Porto Seguro ao Jornal do Carro, o serviço mais solicitado pelos motociclistas é o guincho por pane, responsável por 58% dos atendimentos. Na sequência aparecem o socorro técnico no local, como carga de bateria, com 19%, o guincho por sinistro, também com 19%, a assistência ao passageiro, com 2%, e o chaveiro, com 1%.
A expansão das coberturas e a criação de produtos mais acessíveis indicam uma mudança no comportamento dos motociclistas, que passaram a buscar proteção não apenas contra grandes ocorrências, mas também para situações do dia a dia que podem interromper a mobilidade.
Fonte: Terra.



