A Tesla admitiu que milhões de seus carros mais antigos não conseguem suportar direção totalmente autônoma. A nova realidade é que veículos movidos por software estão começando a envelhecer como smartphones — mas sem um caminho fácil de atualização. O software de inteligência artificial está evoluindo muito mais rápido do que os chips e sensores que o sustentam, criando um limite caro de hardware para automóveis, que em breve pode atingir milhões de carros além da Tesla.
O risco é que as capacidades do seu carro expirem antes mesmo de ele estar pronto para ser descartado. Especialistas dizem que este é apenas um sinal inicial de um problema maior e permanente que afetará qualquer tecnologia de veículo autônomo de propriedade privada. Celulares e laptops são descartados quando a tecnologia envelhece, talvez em cinco anos. Carros ainda têm uma ou duas décadas de uso pela frente, mas com computadores obsoletos. Qual é o plano para isso?”
O que está acontecendo agora, por enquanto, é um problema da Tesla. O CEO Elon Musk há muito tempo imagina um mundo em que carros melhoram com o tempo por meio de atualizações de software. Ele garantiu aos proprietários que veículos produzidos desde 2019 teriam todo o hardware necessário para, eventualmente, dirigir sozinhos.
Na semana passada, durante a divulgação de resultados trimestrais, ele mudou o discurso e informou aos investidores que os computadores dos Teslas fabricados antes de 2024 não têm memória suficiente para alcançar a autonomia total. A promessa quebrada já gerou uma avalanche de processos judiciais por parte de proprietários, muitos dos quais pagaram milhares de dólares antecipadamente por um recurso que nunca poderão usar.
A Tesla oferece duas soluções — e ambas podem ser caras, considerando que cerca de 3,5 milhões de veículos, ou 40% de todos os Teslas em circulação no mundo, possuem o hardware antigo. Os clientes podem obter desconto para trocar o carro por um novo com hardware atualizado. Ou podem fazer um upgrade no veículo, substituindo computador, câmeras e fiação — o que exige uma espécie de reconstrução parcial do carro.
Atualizar o hardware equivale a uma cirurgia cerebral de grande porte, um processo que o próprio Musk já reconheceu ser doloroso e difícil. A Tesla ainda não informou quanto custarão essas atualizações nem quando estarão disponíveis. Como solução provisória, a empresa planeja lançar uma atualização de software chamada “FSD v14 Lite” para carros antigos, oferecendo melhorias na condução assistida, mas ainda longe da autonomia total.
Por algum tempo, espera-se que montadoras adotem uma “estratégia de atualização de meia-vida” para os veículos, semelhante ao plano atual da Tesla. Com o tempo, porém, fabricantes terão incentivo para parar de fornecer atualizações de software para veículos mais antigos, mesmo que ainda estejam em perfeito funcionamento.
No fim das contas, as montadoras provavelmente preferem vender um carro novo a atualizar um antigo.
Fonte: Axios Mobility



