A indústria automobilística da China entrou em uma nova fase em 2026: depois de levar 25 anos para dominar o mercado de veículos elétricos, o país agora avança para incorporar inteligência artificial aos carros, com chips e softwares chineses. A movimentação foi destacada em reportagem da Reuters, publicada pela Forbes em 24 de abril de 2026, no contexto do Salão do Automóvel de Pequim.
O impulso vem do mais recente plano quinquenal da China, lançado no início de 2026, que apresentou o projeto nacional “AI Plus”, voltado a incorporar sistemas de inteligência artificial à manufatura, saúde e outros setores da economia. No setor automotivo, a meta é transformar a próxima geração de veículos elétricos em máquinas conectadas, autônomas e capazes de “raciocinar” com tecnologia nacional.
A estratégia também tem objetivo geopolítico e industrial: reduzir a dependência chinesa de semicondutores de ponta, área dominada pelos Estados Unidos e considerada um gargalo comercial. Stephen Ma, chefe da Nissan Motor China, afirmou à Reuters, à margem do Salão de Pequim, que “não há mais distinção entre uma empresa de tecnologia e uma empresa automobilística”.
Entre os exemplos citados, a Xpeng desenvolveu um modelo de IA que permite ao motorista dar comandos como “estacione perto da entrada do shopping center”, sem precisar selecionar uma vaga em mapa. A empresa afirma que seus veículos podem usar câmeras para navegar mesmo sem mapeamento ou coordenadas. Já a Xiaomi, que entrou no mercado de elétricos há três anos, lançou uma atualização de IA para o sistema HyperOS, capaz de criar listas de tarefas, fazer reservas em restaurantes, pedir café, compilar anotações na estrada e ajustar luz e música se detectar estresse no motorista.
A corrida envolve também fornecedores de tecnologia. A Huawei anunciou investimento de mais de US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para ampliar o poder de computação voltado à direção inteligente. A Horizon Robotics, concorrente chinesa da Qualcomm, lançou o processador Starry 6, capaz de integrar funções de cockpit e direção e lidar com até 12 telas em um veículo. Montadoras como Xpeng, Li Auto, BYD, Geely e Leapmotor também desenvolvem seus próprios chips para reduzir dependência da Nvidia.
Fonte: Forbes Brasil/Reuters



