BYD entra em lista de trabalho análogo à escravidão e enfrenta crise reputacional no Brasil

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A montadora chinesa BYD foi incluída pelo Ministério do Trabalho no cadastro de empresas envolvidas em condições análogas à escravidão, após investigação relacionada a um escândalo ocorrido em 2024. O caso envolve 163 trabalhadores chineses contratados por meio de uma terceirizada, o Jinjiang Group.

Segundo as autoridades brasileiras, os trabalhadores teriam sido submetidos a práticas como retenção de passaportes, envio compulsório de salários para a China e pagamento de depósitos de cerca de US$ 900 como condição de permanência no emprego. As condições levantaram suspeitas de tráfico humano e contratos abusivos.

As inspeções também identificaram situações consideradas degradantes, como 31 trabalhadores vivendo em uma única casa com apenas um banheiro, além de alojamentos sem colchões e alimentos armazenados no chão. O cenário gerou forte repercussão internacional, inclusive dentro da própria China.

A inclusão na lista não impede o funcionamento da fábrica em Camaçari, mas restringe o acesso da empresa a determinados financiamentos no Brasil e amplia os riscos reputacionais em seu segundo maior mercado global.

A BYD afirmou anteriormente não ter conhecimento das irregularidades até a divulgação do caso pela imprensa. Já o Jinjiang Group negou as acusações. Ainda assim, o governo brasileiro sustenta que a montadora tem responsabilidade sobre a cadeia de contratação.

Apesar da crise, a fábrica já produziu mais de 25 mil veículos desde sua inauguração, que contou com a presença do presidente Lula. O caso, no entanto, pode impactar futuras expansões e relações institucionais da empresa no país.

Fonte: Reuters

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