Foto Redes Sociais Caio Induscar
Um modelo de ônibus urbano pouco comum no Brasil pode representar uma alternativa interessante para ampliar a capacidade do transporte público em cidades de grande porte como Salvador. Trata-se dos veículos de 15 metros equipados com dois eixos direcionais na parte dianteira, na configuração 6×2, desenvolvidos para operação em linhas urbanas de alta demanda.
Produzidos sobre chassi da Volkswagen, esses ônibus são projetados para transportar até 115 passageiros — cerca de 15% a mais que os veículos convencionais de 12,5 metros que predominam atualmente no sistema de ônibus da capital baiana. Na prática, o ganho de capacidade pode ajudar a reduzir a superlotação em linhas muito utilizadas sem necessariamente aumentar o número de viagens.
A principal diferença estrutural está na posição dos eixos. Nos chamados ônibus “trucados” convencionais, o terceiro eixo fica localizado na parte traseira do veículo. Já neste modelo, o segundo eixo direcional é instalado na dianteira, o que ajuda a distribuir melhor o peso do veículo e melhora a estabilidade, especialmente em ônibus mais longos.
Apesar de ter uma aparência pouco comum para os padrões brasileiros, a configuração já é utilizada em algumas cidades que precisam ampliar a capacidade do sistema, mas não operam com ônibus articulados. Outro ponto relevante é o custo: mesmo sendo maior que um ônibus convencional, o modelo tem custo operacional relativamente próximo ao de veículos menores, o que pode torná-lo uma solução intermediária entre o ônibus padrão e os articulados.
No contexto de Salvador, a discussão ganha relevância. O sistema Integra opera hoje majoritariamente com ônibus de cerca de 12,5 metros, enquanto os articulados estão restritos ao BRT. Em corredores de grande demanda, como as ligações entre bairros populosos e estações de metrô, veículos com maior capacidade poderiam ajudar a reduzir a pressão sobre a frota atual.
Por outro lado, a adoção desse tipo de ônibus também levanta dúvidas operacionais. A malha viária da cidade, marcada por ruas estreitas, curvas acentuadas e topografia irregular, pode limitar o uso de veículos maiores em determinadas linhas. Além disso, a eficiência do transporte público não depende apenas da capacidade dos ônibus, mas também da frequência das viagens e da organização da rede.
Diante desse cenário, os ônibus de 15 metros com dois eixos dianteiros poderiam funcionar como um meio-termo entre os veículos convencionais e os articulados, especialmente em linhas estruturais com grande volume de passageiros. Ainda assim, sua eventual adoção exigiria planejamento operacional cuidadoso para garantir que o ganho de capacidade realmente se traduza em melhoria para quem depende do transporte público todos os dias.



