As recentes mudanças no exame prático para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), oficializadas com a publicação do novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), reduziram parte da pressão sobre candidatos — incluindo o fim da obrigatoriedade da baliza como etapa eliminatória em diversos estados. Ainda assim, o medo de dirigir continua sendo um dos principais fatores que travam milhares de brasileiros no processo de habilitação.
Conhecida como amaxofobia, a condição vai além do nervosismo comum de prova. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, trata-se de um bloqueio emocional que pode provocar ansiedade intensa, sintomas físicos e até desistência antes mesmo de assumir o volante. A hipnoterapeuta e psicanalista Yafit Laniado explica que o medo muitas vezes está ligado a experiências negativas, crenças limitantes ou registros emocionais profundos que não são resolvidos apenas com treinamento técnico.
Apesar da flexibilização do exame prático, especialistas em trânsito ressaltam que a condução no mundo real exige equilíbrio emocional, percepção de risco e tomada rápida de decisão. Ou seja, retirar uma manobra eliminatória não elimina a necessidade de preparo psicológico. A formação técnica oferecida pelos centros de formação de condutores continua essencial, mas pode não ser suficiente para quem enfrenta bloqueios emocionais intensos.
O medo de dirigir tem ainda impactos indiretos relevantes. Em cidades onde o transporte público é insuficiente ou pouco eficiente, a habilitação representa maior autonomia de deslocamento. Ao mesmo tempo, é importante destacar que ampliar o acesso à CNH não deve significar apenas aumentar o número de condutores, mas garantir que esses novos motoristas estejam emocionalmente preparados para dirigir com segurança, reduzindo riscos de acidentes.



