Os emplacamentos de ônibus novos recuaram de forma expressiva no início de 2026. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 3.426 ônibus foram registrados no primeiro bimestre deste ano, ante 4.566 unidades no mesmo período de 2025, o que representa queda de 24,99%.
Em fevereiro, foram 1.742 emplacamentos, alta de 3,51% em relação a janeiro (1.683 unidades). No entanto, na comparação com fevereiro de 2025, quando foram registrados 2.375 veículos, a retração foi de 26,65%. Para a Fenabrave, o desempenho reflete um início de ano “moderado”, condicionado ao ritmo de investimentos públicos e privados no transporte coletivo urbano e rodoviário. A entidade avalia que o setor responde diretamente aos ciclos de renovação de frota e que pode haver estabilização gradual ao longo do ano.
No ranking de fabricantes, a Mercedes-Benz liderou com 1.758 unidades e 51,33% de participação de mercado, seguida por Volkswagen Caminhões e Ônibus (724 unidades e 21,14%) e Marcopolo (420 unidades e 12,26%). Também aparecem Iveco, Agrale, Volvo, Caio Induscar, Scania, BYD e CRRC. Regionalmente, o Sudeste concentrou 53,16% dos emplacamentos em fevereiro, à frente do Sul (22,1%) e do Nordeste (12,25%).
Enquanto o segmento de ônibus encolheu, o mercado automotivo total cresceu. Em fevereiro, foram emplacadas 374.931 unidades no país, alta de 4,13% sobre o mesmo mês de 2025, puxada principalmente por automóveis, comerciais leves e implementos rodoviários.
Do ponto de vista da mobilidade, o recuo nos emplacamentos de ônibus pode indicar desaceleração na renovação e expansão de frotas, o que tende a impactar diretamente a qualidade do transporte coletivo, especialmente em grandes centros urbanos. A modernização da frota — incluindo veículos menos poluentes e mais acessíveis — depende de investimentos contínuos e de previsibilidade regulatória. Em um cenário de queda nas compras, municípios podem adiar substituições de veículos antigos, prolongando a circulação de ônibus com maior custo operacional e maior emissão de poluentes.
O contraste entre o crescimento do mercado de automóveis e a retração do segmento de ônibus reforça um desafio estrutural da mobilidade brasileira: enquanto o transporte individual mantém dinamismo, o coletivo segue dependente de políticas públicas, financiamento e planejamento de longo prazo para sustentar sua renovação e competitividade.
Fonte: Fenabrave



