Aviões que circulam antes de pousar elevam custos e emissões, alerta agência da ONU

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Atrasos no tráfego aéreo provocaram prejuízos superiores a US$ 2,3 bilhões na Europa em 2025; proposta prevê coordenar horários de decolagem para evitar congestionamentos nos aeroportos.

Aviões que ficam dando voltas antes de pousar geralmente estão em um procedimento chamado padrão de espera, usado quando a aeronave precisa aguardar autorização para aterrissar, enfrentar condições meteorológicas desfavoráveis ou lidar com alguma ocorrência operacional. Embora possa ser necessário para manter a segurança dos voos, o procedimento aumenta o consumo de combustível, as emissões de poluentes e os custos das companhias aéreas.

O problema tende a se agravar com o crescimento do transporte aéreo e a concentração de voos em aeroportos movimentados. Segundo a Eurocontrol, responsável pela navegação aérea na Europa, os atrasos custaram mais de US$ 2,3 bilhões ao continente em 2025. Além dos passageiros, os impactos atingem o transporte de cargas e empresas que dependem da pontualidade das operações.

Para reduzir esses congestionamentos, a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência ligada à ONU, defende maior coordenação entre aeroportos e centros de controle. A proposta é que, quando um terminal não puder receber novas aeronaves, os aeroportos de origem sejam avisados para atrasar as decolagens dos voos com destino ao local. Assim, parte da espera ocorreria em solo, evitando que aviões consumam combustível circulando no ar.

Testes apoiados pela OACI nas Américas teriam economizado mais de 265 mil minutos de voo em 2026, além de US$ 38,9 milhões. De acordo com a entidade, as iniciativas também pouparam cerca de 13.330 toneladas de combustível e evitaram a emissão de 42.160 toneladas de dióxido de carbono. Os resultados reforçam o potencial da coordenação para reduzir custos e impactos ambientais.

O modelo já é utilizado em voos domésticos no Brasil, na Colômbia e em outros países, mas sua aplicação internacional ainda enfrenta limitações. A falta de compartilhamento de informações em tempo real entre sistemas de diferentes regiões dificulta o planejamento conjunto. Desvios provocados por conflitos armados também tornam as rotas menos previsíveis e aumentam a complexidade da gestão do tráfego aéreo.

Enquanto a coordenação não elimina os atrasos, os aviões precisam manter combustível suficiente para situações de espera e possíveis mudanças de rota. Se o nível se aproximar do limite de segurança, o piloto deve comunicar a situação ao controle de tráfego aéreo, que poderá priorizar o pouso ou orientar o deslocamento para outro aeroporto, conforme as condições operacionais.

Fonte: CNN Brasil