Impostos sobre passagens aéreas na América Latina arrecadam quase cinco vezes o lucro das companhias

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Levantamento apresentado pela ALTA aponta que governos da região recolheram US$ 6,2 bilhões em tributos sobre bilhetes em 2024, enquanto as empresas tiveram lucro líquido de US$ 1,3 bilhão

Os governos da América do Sul, América Central e Caribe arrecadaram US$ 6,2 bilhões em impostos sobre passagens aéreas em 2024, quase cinco vezes o lucro líquido das companhias da região, de US$ 1,3 bilhão. Os dados foram apresentados pela Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA) durante sua Assembleia Geral Anual de 2026, realizada na Cidade do México.

A comparação, baseada em um relatório da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), mostra a diferença entre a arrecadação tributária e a rentabilidade do setor. Segundo Peter Cerdá, presidente da ALTA, e Roberto Alvo, presidente do Comitê Executivo da entidade, as empresas aéreas operam com margens reduzidas e enfrentam uma carga fiscal elevada.

As projeções para 2026 indicam margem líquida de 2,1% e lucro de apenas US$ 3,50 por passageiro. Durante a apresentação, os representantes da associação defenderam que as companhias não devem ser tratadas como uma fonte ilimitada de recursos públicos, já que retêm uma parcela pequena da receita obtida com a venda de passagens.

Apesar da rentabilidade restrita, a aviação tem peso significativo na economia regional. Dados do relatório Aviation Benefits Beyond Borders, elaborado pelo Air Transport Action Group (ATAG), indicam que o setor sustenta 8,3 milhões de empregos e contribui com US$ 240 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe.

O efeito sobre o mercado de trabalho também se estende para além das empresas aéreas. De acordo com os números apresentados no evento, cada emprego direto na aviação gera, em média, outros dez postos de trabalho indiretos e induzidos, ligados às atividades que dependem do transporte aéreo.

A ALTA usou os indicadores para defender que as políticas tributárias considerem tanto a capacidade financeira das companhias quanto os efeitos da aviação sobre o emprego, a renda e a atividade econômica. A entidade argumenta que o peso dos impostos, diante das margens estreitas, precisa ser avaliado em conjunto com os benefícios gerados pelo setor.

Fonte: ALTA / IATA / ATAG

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