Eletrificação dos carros avança, mas infraestrutura e mão de obra ainda são desafios

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Expansão dos veículos eletrificados aumenta demanda por carregadores, profissionais especializados, segurança em garagens e critérios para avaliar baterias usadas

O crescimento dos veículos eletrificados no Brasil já provoca mudanças que vão além da venda de carros novos. A expansão da frota aumenta a necessidade de pontos de recarga, profissionais capacitados para trabalhar com sistemas de alta tensão, equipamentos específicos para oficinas e novas medidas de segurança para garagens coletivas.

Um dos desafios está relacionado ao risco de incêndios envolvendo baterias de íons de lítio. Durante a Fire Show 2026, realizada até quinta-feira (8), no São Paulo Expo, foram apresentadas soluções voltadas à detecção precoce de superaquecimento e à contenção de possíveis incêndios em estacionamentos subterrâneos. Entre as tecnologias estão sistemas de monitoramento térmico e cortinas corta-fogo capazes de reduzir a propagação do calor entre veículos.

A necessidade de ampliar a infraestrutura de recarga também acompanha o avanço das vendas. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da plataforma Tupi apontam 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga no país, uma média de 21,4 veículos eletrificados por equipamento. Desse total, 11.397 são carregadores rápidos de corrente contínua, que já representam 38,2% da rede e cresceram 195,6% em 12 meses. Outros 18.469 pontos utilizam corrente alternada, predominante em residências e estabelecimentos comerciais.

O aumento da rede, porém, não elimina outros gargalos. A manutenção de veículos elétricos e híbridos exige conhecimento sobre sistemas de alta tensão, inversores, gerenciamento e controle térmico das baterias e diagnóstico eletrônico. A prática recomendada ABNT PR 1025 orienta procedimentos de manutenção, mas o setor ainda não conta com uma norma técnica obrigatória específica para todas essas atividades.

A formação de mecânicos é considerada um dos pontos necessários para ampliar a oferta de serviços fora das concessionárias. Entre os procedimentos de segurança está a desenergização do veículo antes da intervenção em componentes de alta tensão. Também são necessários equipamentos adequados, como elevadores que permitam a retirada segura de baterias, além de instalações preparadas para atender veículos eletrificados.

Outro desafio está no mercado de seminovos. A bateria pode representar entre 30% e 50% do valor de um veículo elétrico, tornando fundamental conhecer seu estado de conservação antes da compra. O setor ainda busca critérios nacionais padronizados para medir a capacidade residual e o envelhecimento das células. Laudos independentes e rastreáveis podem funcionar como uma referência adicional para consumidores e empresas na negociação de veículos usados.

O diagnóstico é especialmente relevante porque fatores como uso frequente de carregamento ultrarrápido e exposição prolongada a temperaturas elevadas podem acelerar a degradação das células. Como os parâmetros apresentados pelos sistemas das próprias montadoras podem variar, a criação de métodos independentes e padronizados de avaliação tende a ganhar importância com o aumento da frota.

A eletrificação também começa a produzir efeitos no mercado de seguros. Um levantamento da Creditas Seguros referente a agosto de 2026 apontou queda no preço médio das apólices dos dez carros mais vendidos, mas os modelos eletrificados permaneceram entre os mais caros. O BYD Song Plus apresentou os maiores valores médios entre os veículos analisados, enquanto o BYD Dolphin também teve redução superior a 20% nas cotações para os dois perfis avaliados.

No caso do BYD Dolphin GS 180 EV, a apólice média para homens caiu de R$ 3.393,14 em julho para R$ 2.669,13 em agosto, redução de 21,34%. Para mulheres, passou de R$ 3.028,64 para R$ 2.308,76, queda de 23,77%. Entre as capitais pesquisadas, São Paulo apresentou as menores cotações para os dois perfis, com R$ 2.276,16 para homens e R$ 2.178,46 para mulheres.

O cenário mostra que a expansão da mobilidade elétrica depende de uma cadeia que vai além da fabricação e comercialização dos veículos. Recarga, segurança contra incêndios, qualificação profissional, equipamentos de oficina, diagnóstico das baterias e custos de seguro passam a fazer parte das condições necessárias para que os carros eletrificados ganhem espaço de forma sustentável no mercado brasileiro.

Fonte: Electric News / ABVE / Tupi / Creditas Seguros

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