Pesquisa Viver nas Cidades aponta média de 2h05 por dia em 2026; usuários de transporte coletivo gastam 30 minutos a mais no trânsito do que quem utiliza meios individuais
Moradores de oito das dez maiores capitais brasileiras passaram mais tempo em deslocamentos diários em 2026 do que no ano anterior. A média nas cidades pesquisadas chegou a 2 horas e 5 minutos por dia, nove minutos acima do resultado de 2025. Apenas Manaus e Belém registraram redução no período, segundo a segunda edição da Pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) e pela Ipsos-Ipec com 3.500 internautas de Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia. A pesquisa também avaliou transporte coletivo, custo das tarifas, tarifa zero e segurança de pedestres.
Fortaleza apresentou a maior média de deslocamento, com 2h18, e também o maior aumento em um ano, de 20 minutos. Recife chegou a 2h07, São Paulo a 2h07 e o Rio de Janeiro a 2h10. Goiânia teve acréscimo de 15 minutos, enquanto Recife aumentou 17. Em Salvador, o tempo médio subiu três minutos. Porto Alegre passou de 1h34 para 1h37.
Manaus reduziu a média de 2h08 para 2h05, enquanto Belém apresentou a maior queda entre as capitais analisadas, de 12 minutos, passando de 2h10 para 1h58. Mesmo com a redução, as duas cidades permaneceram entre aquelas com tempos elevados de deslocamento.
A diferença entre os meios de transporte também aparece nos resultados. Quem utiliza principalmente ônibus, BRT ou outros sistemas coletivos passa, em média, 2h17 por dia em deslocamentos, 30 minutos a mais que os usuários de transporte individual. O ônibus, BRT ou Move é o principal meio utilizado por 35% dos entrevistados, seguido pelo carro particular, com 18%. Aplicativos, metrô e deslocamentos a pé aparecem com 8% cada.
A lotação foi apontada como o principal problema do transporte coletivo por 24% dos usuários de ônibus, BRT ou Move. O preço da passagem aparece em seguida, com 20%, enquanto as condições dos veículos foram citadas por 12%. Segurança, pontualidade e frequência tiveram 10% cada.
O custo da passagem também interfere no acesso a atividades cotidianas. Entre os usuários de ônibus, BRT ou Move, 63% disseram que sempre ou às vezes deixam de visitar amigos ou familiares em outros bairros por causa do preço do deslocamento. O impacto também aparece no lazer (59%), no acesso a consultas e exames (51%), na procura por emprego (44%) e na frequência a escolas ou universidades (33%).
A percepção de insegurança afeta ainda os deslocamentos a pé. Oito em cada dez entrevistados disseram se sentir pouco ou nada seguros ao atravessar ruas, caminhar pelas calçadas ou utilizar passarelas, pontes e viadutos. Entre as mulheres, o percentual chega a 85%. O Rio de Janeiro apresentou o maior índice, com 87%, enquanto Goiânia teve o menor, de 62%.
Fonte: Technibus / Instituto Cidades Sustentáveis / Ipsos-Ipec



