Robotáxis levantam nova preocupação: como impedir comportamentos inadequados dentro dos carros autônomos

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Pesquisadores discutiram em workshop na Suécia como tornar veículos sem motorista mais seguros e adequados ao uso compartilhado

A expansão dos robotáxis, veículos autônomos utilizados como serviço de transporte, começa a levantar questões que vão além da tecnologia necessária para fazê-los circular sem motorista. Uma delas é o comportamento dos passageiros dentro do veículo, já que a ausência de um condutor cria um espaço com características diferentes das encontradas em táxis convencionais e outros meios de transporte compartilhado.

O assunto foi discutido no workshop “Love in Traffic”, realizado em Gotemburgo, na Suécia, durante a conferência AutomotiveUI 2026. O encontro reuniu pesquisadores interessados em entender como os passageiros podem se comportar quando não existe uma autoridade presente fisicamente dentro do veículo e quais medidas poderiam tornar esses ambientes mais seguros.

Um dos pesquisadores envolvidos é Pavlo Bazilinsky, professor da Universidade de Tecnologia de Eindhoven. Em entrevista à Wired, ele contou que o grupo chegou a consultar o Pornhub para tentar compreender comportamentos relacionados à intimidade em espaços de transporte. Uma busca por “transporte público” no site retornou quase 300 resultados, segundo o pesquisador. A consulta foi utilizada como uma forma de observar situações que poderiam ocorrer em ambientes compartilhados.

A preocupação dos acadêmicos não se limita a relações sexuais. Veículos autônomos sem motorista podem criar uma sensação maior de privacidade entre passageiros e, por isso, comportamentos inadequados, assédio, agressões ou outros problemas de segurança também precisam ser considerados no projeto desses serviços.

Uma das propostas discutidas é aumentar a transparência do interior dos veículos para reduzir áreas completamente escondidas da observação externa. Outra possibilidade é alterar a disposição dos bancos e dos demais elementos internos para que o ambiente seja percebido como coletivo, e não como um espaço privado. Os pesquisadores também consideram a utilização de alertas capazes de interromper comportamentos inadequados, desde que sejam proporcionais e não invasivos.

As conclusões do workshop ainda não haviam sido divulgadas. Em trabalhos anteriores, porém, o grupo já havia tratado do desenho de veículos autônomos como espaços compartilhados. A ideia é antecipar situações que podem surgir com a popularização dos robotáxis e pensar em soluções que não dependam exclusivamente de vigilância humana.

Para os pesquisadores, situações de intimidade servem como um caso extremo para testar os limites desses novos espaços. O mesmo planejamento pode ajudar a lidar com problemas mais graves, como assédio, violência e furtos. A forma como os veículos forem projetados e administrados também pode influenciar a percepção de segurança dos passageiros e, consequentemente, a aceitação dos serviços autônomos no transporte urbano.

Fonte: Xataka Brasil/Wired

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