Produtos estrangeiros representam 71% das vendas de reposição, enquanto aumento do transporte marítimo e possível alta do imposto de importação pressionam custos
Os pneus importados já representam 71% das vendas no mercado brasileiro de reposição, segundo dados do primeiro semestre de 2026. Ao mesmo tempo, o custo do transporte marítimo entre China e Brasil, uma das principais rotas de abastecimento do setor, chegou a até US$ 9,5 mil por contêiner de 40 pés em algumas cotações, ante cerca de US$ 3 mil anteriormente.
O aumento do frete ocorre em meio a interrupções e congestionamentos em terminais asiáticos, que afetaram a disponibilidade de navios e contêineres. Para os importadores, além do transporte mais caro, o cenário exige antecipação de pedidos e reforço dos estoques. O impacto sobre o preço final, porém, não é automático e depende de fatores como volume transportado, contratos de frete, câmbio e quantidade de produtos já armazenada no país.
A participação dos pneus estrangeiros cresceu significativamente nos últimos anos. Em 2021, os importados representavam 36% do mercado de reposição, enquanto os fabricantes instalados no Brasil respondiam por 64%. No primeiro semestre de 2026, a proporção passou para 71% e 29%, respectivamente. Considerando também o fornecimento para montadoras, os produtos importados já correspondem a cerca de 60% do mercado brasileiro.
O movimento acompanha o desempenho das vendas. No primeiro semestre deste ano, as importações de pneus cresceram 81,2%, enquanto as vendas de produtos nacionais destinados a carros de passeio, veículos comerciais leves e caminhões recuaram 6,8%, para 17,8 milhões de unidades.
A pressão sobre os custos ocorre ainda enquanto o governo discute a possibilidade de elevar de 25% para 35% o imposto de importação de determinados pneus. A eventual mudança ainda depende de decisão formal e, caso seja adotada, poderá representar um custo adicional para produtos vindos do exterior. Importadores e fabricantes nacionais têm posições diferentes sobre a medida, que envolve questões como concorrência, proteção à indústria brasileira e preço ao consumidor.
Além do imposto de importação, pneus chineses destinados a automóveis podem estar sujeitos a direitos antidumping específicos. Por isso, o custo efetivo de cada produto depende de fatores como origem, classificação e empresa exportadora. Com a combinação de maior participação dos importados e frete marítimo mais caro, o mercado passa a operar com menos espaço para absorver novos aumentos sem que parte dos custos possa chegar ao consumidor.
Fonte: Garagem 360



