Ferrari enterrada em jardim nos EUA foi descoberta quatro anos depois e virou peça rara

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Carro havia sido enterrado após uma suposta fraude de seguro e acabou encontrado por crianças em Los Angeles; modelo foi restaurado e voltou às ruas

Uma Ferrari Dino 246 GTS que deveria desaparecer no Oceano Pacífico acabou passando quatro anos enterrada em um jardim de Los Angeles, nos Estados Unidos. O carro foi descoberto por crianças em fevereiro de 1978 e, depois de uma longa recuperação, voltou às ruas da Califórnia com uma placa personalizada que fazia referência à sua história.

A história começou em 1974, quando Rosendo Cruz, um encanador de Alhambra, na Califórnia, comprou uma Ferrari Dino 246 GTS verde metálica, fabricada naquele ano. O veículo tinha chassi número 07862 e foi adquirido por US$ 22.500 na loja Hollywood Sports Cars.

Poucas semanas depois da compra, Cruz comunicou à polícia que a Ferrari havia sido roubada. A Farmers Insurance, seguradora do veículo, pagou a indenização pelo suposto furto.

Anos mais tarde, porém, um informante procurou o detetive Dennis Carroll e apresentou uma versão completamente diferente dos acontecimentos.

Ferrari deveria ser destruída

Segundo o relato, o suposto roubo teria sido planejado pelo próprio proprietário como parte de uma fraude de seguro. Cruz teria contratado homens para fazer a Ferrari desaparecer, com a intenção de que o veículo fosse levado ao Oceano Pacífico e destruído.

Os responsáveis pela operação, entretanto, teriam se recusado a destruir a Ferrari. Em vez disso, decidiram enterrá-la inteira em um terreno baldio de West Athens, em Los Angeles, com a expectativa de voltar posteriormente para recuperá-la.

Isso nunca aconteceu.

A área acabou sendo transformada em um bairro residencial, e a Ferrari permaneceu esquecida debaixo da terra. O carro havia sido coberto com plástico, cobertores e outros materiais. Panos e toalhas também foram colocados nas entradas de ar para reduzir a entrada de umidade e sujeira.

Quatro anos depois, em fevereiro de 1978, crianças que brincavam no jardim de uma residência perceberam que suas pás haviam atingido algo enterrado. Ao continuarem a escavação, encontraram o teto de um automóvel.

A polícia foi chamada e os detetives Joe Sabas e Dennis Carroll foram até o local. Inicialmente, os investigadores chegaram a suspeitar que pudesse haver um corpo enterrado junto ao veículo. Não havia cadáver, drogas ou outros objetos suspeitos.

Era uma Ferrari Dino 246 GTS de 1974.

Carro sofreu danos durante o resgate

Embora as primeiras imagens mostrassem uma Ferrari aparentemente bem preservada, uma avaliação feita pela seguradora revelou que o tempo debaixo da terra havia causado diversos problemas.

A ferrugem havia atingido a carroceria produzida pela Pininfarina, enquanto as rodas estavam deterioradas e os escapamentos estavam cheios de lama.

A retirada do veículo também provocou novos danos. O capô do motor ficou parcialmente amassado, o teto sofreu marcas e o para-brisa acabou destruído.

A Farmers Insurance decidiu colocar a Ferrari em exposição em um armazém de Pasadena durante duas semanas, na tentativa de encontrar um comprador. O carro atraiu grande curiosidade, mas até mesmo durante a exposição houve problemas: algumas peças que não estavam parafusadas desapareceram.

Ferrari foi vendida por pouco mais de US$ 5 mil

Depois de várias ofertas, a Dino foi comprada por Ara Manoogian, empresário do setor imobiliário de Los Angeles, por pouco mais de US$ 5.000.

O destino do carro começou a mudar quando Brad Howard, que fazia negócios imobiliários com Manoogian, ouviu uma conversa dele com um mecânico sobre a Ferrari.

Howard se interessou pelo veículo e fez uma proposta, mas estabeleceu uma condição: a compra só seria concluída se fosse possível fazer a Ferrari voltar a funcionar.

Manoogian então procurou o especialista em Ferrari Giuseppe Cappalonga, responsável pela recuperação do motor.

A estiagem que atingiu a Califórnia durante parte dos quatro anos em que o carro permaneceu enterrado também ajudou a preservar a Ferrari. O solo permaneceu mais seco do que seria habitual, reduzindo a intensidade dos danos provocados pela umidade.

“DUG UP”

A Ferrari foi restaurada ainda em 1978 e passou a ser registrada em nome de Brad Howard. Depois da recuperação, a Dino voltou a apresentar sua característica cor verde metálica e novamente circulou pelas estradas da Califórnia.

Howard decidiu preservar a história incomum do automóvel e instalou uma placa personalizada com a inscrição “DUG UP”, expressão em inglês que significa “desenterrado”.

De um carro envolvido em uma suposta fraude de seguro e condenado a desaparecer no mar, a Ferrari se transformou em uma raridade automobilística que ganhou uma segunda vida depois de passar quatro anos enterrada sob um jardim.

Fonte: Xataka Brasil / Motorpasión

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