Antigo truque do papelão no radiador pode causar superaquecimento e até fundir motores modernos

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Durante décadas, colocar um pedaço de papelão na frente da grade do radiador foi um recurso utilizado por motoristas para fazer o motor aquecer mais rapidamente nos dias frios. A prática, comum principalmente em veículos antigos, fazia sentido em uma época em que os sistemas de arrefecimento eram menos eficientes. Hoje, porém, especialistas alertam que repetir esse hábito em carros modernos pode provocar superaquecimento do motor e danos graves, como a queima da junta do cabeçote.

Segundo reportagem do Terra Mobilidade, o truque surgiu nos anos 1970, quando motores equipados com blocos de ferro fundido e termostatos mecânicos demoravam a atingir a temperatura ideal de funcionamento. Ao bloquear parcialmente a entrada de ar no radiador, o papelão reduzia o resfriamento do motor, acelerando seu aquecimento durante o inverno.

O cenário mudou completamente com a evolução da engenharia automotiva. Os veículos atuais utilizam termostatos eletrônicos e sistemas de gerenciamento do motor, que controlam automaticamente a temperatura de funcionamento conforme fatores como carga do motor, temperatura ambiente e regime de utilização. Dessa forma, não há necessidade de qualquer intervenção manual para acelerar o aquecimento.

Ao cobrir a grade do radiador, o motorista elimina parte da capacidade de resfriamento prevista pelos engenheiros da montadora. Em trajetos urbanos curtos e em dias frios, o problema pode passar despercebido. No entanto, ao entrar em uma rodovia, enfrentar um congestionamento ou utilizar o ar-condicionado por longos períodos, o motor pode não receber o fluxo de ar necessário para dissipar o calor.

Nessas condições, a temperatura pode subir rapidamente acima do limite seguro. Embora a central eletrônica tente proteger o conjunto mecânico, um superaquecimento severo pode provocar danos caros, incluindo a queima da junta do cabeçote, exigindo desmontagem parcial do motor e mão de obra especializada para o reparo.

Além disso, ciclos repetidos de calor excessivo podem comprometer sensores de temperatura e outros componentes do sistema de arrefecimento, aumentando os custos de manutenção e dificultando o diagnóstico de futuras falhas.

Especialistas ressaltam que o antigo truque do papelão pertence a uma realidade técnica que já não existe. Nos veículos modernos, o sistema de arrefecimento foi projetado para atingir rapidamente a temperatura ideal de funcionamento sem qualquer adaptação improvisada. Alterar esse equilíbrio pode transformar uma prática antes considerada útil em um risco para a durabilidade do motor.

Fonte: Terra Mobilidade (licenciado de Xataka).

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