Por Emerson Pereira – Foto Silas Azevedo
Celebrado em 25 de julho, o Dia do Busólogo homenageia os apaixonados por ônibus e pelo transporte coletivo. Muito além de fotografar veículos, a busologia reúne pessoas que estudam, registram e preservam a história da mobilidade urbana, formando um importante acervo sobre a evolução do transporte coletivo.
Na Bahia, esse interesse existe há muitas décadas. Antes mesmo da popularização da internet, era comum encontrar entusiastas acompanhando a chegada de novos ônibus, registrando pinturas, identificando modelos e catalogando informações sobre empresas e linhas que circulavam em Salvador e na Região Metropolitana.
O hobby, no entanto, ganhou uma nova dimensão com o avanço da internet no fim da década de 1990 e início dos anos 2000. As comunidades virtuais passaram a aproximar busólogos de diferentes cidades, permitindo o compartilhamento de fotografias, informações técnicas e pesquisas sobre o transporte coletivo.

Na Bahia, comunidades como o Buzu.com e o Transporte em Debate (TED) tiveram papel fundamental na consolidação desse movimento. Esses espaços reuniam diariamente entusiastas que acompanhavam mudanças nas empresas, documentavam a renovação das frotas, registravam acontecimentos históricos e compartilhavam informações que dificilmente eram encontradas em outros meios.
Foi nesse ambiente que ganharam destaque pesquisadores e historiadores do transporte, como Kinho Veloso, Emanuel Edson Pimenta, Ícaro Chagas, Aloísio Cunha e Luiz Lima. Por meio de fotografias, documentos, relatos e pesquisas, eles ajudaram a preservar uma parte significativa da memória do transporte coletivo de Salvador, resgatando histórias de empresas, linhas e veículos que marcaram diferentes épocas da cidade.
Também no início dos anos 2000, a busologia passou a ganhar um caráter mais social. Era comum que grupos de jovens organizassem encontros para percorrer diferentes linhas de ônibus de Salvador, conhecendo trajetos, terminais e bairros da cidade. A prática ficou conhecida como “Rolébus” e se tornou uma tradição entre os entusiastas, fortalecendo amizades, promovendo a troca de conhecimento sobre o sistema e aproximando ainda mais os participantes do universo do transporte coletivo.
Com o crescimento das redes sociais, a busologia passou por uma nova transformação. O conteúdo deixou os fóruns e comunidades para alcançar um público muito maior em sites especializados e plataformas como Facebook, Instagram, YouTube, Threads e TikTok.
A influência desse movimento também contribuiu para o surgimento de diversas iniciativas voltadas à mobilidade urbana em Salvador, como BusMídia, Urbaianos e Buzu071 — projeto que posteriormente deu origem ao SóMob. Essas plataformas ampliaram o alcance da busologia ao produzir reportagens, análises, entrevistas e conteúdos sobre o transporte público, aproximando o tema do cotidiano da população.
Apesar de ser frequentemente associada à fotografia de ônibus, a busologia vai muito além dos registros de imagem. Os busólogos estudam diferenças entre chassis e carrocerias, acompanham alterações operacionais, analisam mudanças em linhas, discutem propostas para melhorar o sistema, avaliam a renovação das frotas e frequentemente apresentam sugestões para aprimorar o transporte coletivo.
Em muitos casos, essa paixão também influencia a trajetória profissional dos entusiastas. Não são poucos os busólogos que ingressam no setor como motoristas, cobradores, despachantes, fiscais, mecânicos ou em outras áreas ligadas à operação do transporte, buscando vivenciar na prática o funcionamento do sistema que sempre acompanharam.
Ao longo das últimas décadas, a busologia tornou-se uma importante ferramenta de preservação histórica. Grande parte das fotografias de empresas que já encerraram suas atividades, de modelos de ônibus que deixaram de circular e de mudanças no sistema de transporte foi registrada justamente por busólogos, formando um acervo que hoje serve de referência para pesquisadores, jornalistas e profissionais da mobilidade.
Mais do que um hobby, a busologia representa um movimento de pesquisa, documentação e valorização da história do transporte coletivo. Em uma cidade onde a mobilidade faz parte da identidade urbana, o trabalho desses entusiastas ajuda a manter viva a memória de um sistema que transporta milhões de pessoas e acompanha, diariamente, as transformações de Salvador e da Bahia.



