Mortes no trânsito caem 21% no mundo em 15 anos, mas OMS diz que redução ainda é insuficiente

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O número de mortes no trânsito diminuiu 21% em todo o mundo entre 2011 e 2025, mesmo com o crescimento da frota global em mais de 1 bilhão de veículos. Apesar do avanço, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia que a redução ainda ocorre em ritmo inferior ao necessário para cumprir a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir pela metade os óbitos e as lesões graves no trânsito até 2030.

Os dados foram apresentados pela OMS durante a reunião de alto nível da Assembleia Geral da ONU sobre segurança viária. Segundo o relatório, cerca de 1,16 milhão de pessoas morreram em acidentes de trânsito em 2025, contra aproximadamente 1,26 milhão em 2010, evidenciando uma queda consistente ao longo dos últimos 15 anos.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o resultado demonstra que políticas públicas voltadas à segurança viária geram impactos concretos. “Esse progresso mostra que a mudança é possível quando os países investem em sistemas seguros. Nos últimos 15 anos fizemos avanços reais na redução das mortes no trânsito, apesar do aumento da frota de veículos e das mudanças na forma como as pessoas se deslocam”, afirmou.

Europa lidera redução; Américas não registram queda significativa

O relatório mostra que a evolução não ocorreu de forma uniforme entre as regiões do planeta.

A Região Europeia apresentou o melhor desempenho, com redução de 36% nas mortes no trânsito entre 2011 e 2025.

Na Região do Pacífico Ocidental, a queda foi de 15%, enquanto o Sudeste Asiático registrou diminuição de apenas 2%.

Já nas Américas, a OMS informa que não houve redução significativa no número de mortes durante o período analisado. O cenário foi ainda mais preocupante na Região Africana, onde as fatalidades aumentaram 17%.

Motociclistas concentram parcela crescente das vítimas

O levantamento também aponta uma mudança no perfil das vítimas.

Mais da metade das pessoas que morreram no trânsito em 2025 não estava dentro de um automóvel. Pedestres, ciclistas e, principalmente, motociclistas passaram a representar uma parcela cada vez maior dos óbitos registrados mundialmente.

Segundo a OMS, o número de motocicletas em circulação mais que triplicou entre 2011 e 2025, impulsionado pelo crescimento dos serviços de entrega e de transporte por aplicativos. Atualmente, os motociclistas representam quase um terço de todas as mortes no trânsito no mundo.

Para o diretor do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção da Saúde e Prevenção da OMS, Etienne Krug, esse cenário evidencia a necessidade de rever o planejamento urbano. “Mais da metade de todas as mortes no trânsito envolve pessoas que nem sequer estavam em um carro. Quando as vias são projetadas como se apenas os motoristas importassem, esses usuários ficam perigosamente expostos”, destacou.

ONU aprova nova declaração sobre segurança viária

Durante a Assembleia Geral, os países-membros da ONU aprovaram uma nova declaração para reforçar o compromisso com a segurança no trânsito.

O documento recomenda que os governos adotem metas mensuráveis, destinem orçamento específico para políticas públicas de segurança viária, aperfeiçoem os sistemas de coleta de dados, reforcem a fiscalização e estabeleçam padrões mais rigorosos para veículos, infraestrutura e legislação.

A declaração também reforça a adoção da abordagem conhecida como Sistema Seguro (Safe System), que considera que erros humanos são inevitáveis e, por isso, defende que ruas, rodovias, veículos e normas sejam projetados para impedir que esses erros resultem em mortes ou lesões graves.

Meta para 2030 ainda exige mais investimentos

Apesar da redução registrada nos últimos 15 anos, a OMS ressalta que será necessário acelerar o ritmo das ações para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU até 2030.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão a ampliação dos investimentos em infraestrutura viária segura, veículos com mais tecnologias de proteção, fiscalização, controle de velocidade e combate à condução sob efeito de álcool, além da proteção aos usuários mais vulneráveis do sistema de mobilidade.

Fonte: Portal do Trânsito, com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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