O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório preliminar sobre a colisão entre dois helicópteros ocorrida no sábado (14 de junho), no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro, que deixou seis pessoas mortas. O documento reúne informações técnicas sobre os voos, as condições operacionais e as evidências coletadas até o momento, mas não identifica as causas nem atribui responsabilidades pelo acidente.
Segundo o relatório, a ocorrência envolveu um Bell 206B, de matrícula PP-MAC, e um Airbus Helicopters AS350 B2 Esquilo, de matrícula PR-DJJ. O Bell 206B havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá com destino ao Heliponto Piratas Mall, em Angra dos Reis (RJ). Já o Esquilo saiu do Aeroporto Santos Dumont com destino à região de Guaratiba, também no Rio de Janeiro.
A investigação apontou que os dois planos de voo previam a utilização das Rotas Especiais de Helicópteros (REH) Praia e Grota, corredores aéreos destinados a organizar o intenso tráfego desse tipo de aeronave na capital fluminense. A colisão aconteceu justamente na REH Grota, entre os pontos de referência conhecidos como Tachas e Piabas. Apesar dessa coincidência, o Cenipa ressalta que o fato de as aeronaves utilizarem a mesma rota não permite concluir que esse tenha sido o fator determinante para o acidente.
O relatório também informa que apenas uma das aeronaves foi acompanhada pelos radares do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro. O helicóptero PR-DJJ foi monitorado desde a decolagem até instantes antes da colisão, enquanto o PP-MAC não apareceu nos registros de radar durante todo o percurso. O documento registra essa informação, mas não apresenta conclusões sobre sua influência na ocorrência.
Outro ponto destacado é que as condições meteorológicas eram favoráveis para operações sob regras de voo visual (VFR). Até o momento, os investigadores não encontraram indícios de que fatores climáticos tenham contribuído para a colisão.
As duas aeronaves não possuíam gravadores de dados de voo (FDR) nem gravadores de voz da cabine (CVR), equipamentos conhecidos como “caixas-pretas”. O Cenipa esclarece que a legislação não exige esses dispositivos para os modelos envolvidos no acidente. Durante os trabalhos periciais, porém, os investigadores localizaram um equipamento GPS em uma das aeronaves, cujos dados estão sendo utilizados para ajudar na reconstrução da trajetória do voo.
O órgão reforça que o relatório divulgado tem caráter exclusivamente informativo e representa apenas uma etapa da investigação. Os trabalhos continuarão com análises técnicas, exames periciais e avaliação de novos elementos, que poderão ser incorporados ao processo. Somente o Relatório Final apresentará os fatores contribuintes para o acidente e, se necessário, recomendações de segurança para evitar ocorrências semelhantes.
Fonte: AeroJota.



