A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou na sexta-feira (10) o edital da segunda etapa do Sistema RIO, novo modelo de operação do transporte municipal por ônibus. A fase prevê R$ 1,4 bilhão em investimentos privados, a incorporação de mais de 1.400 ônibus zero quilômetro e um aumento de 57% da frota nas regiões contempladas, além da ampliação da oferta de linhas em bairros da Zona Oeste, Vila Isabel e Ilha do Governador.
Durante o anúncio, realizado no Centro de Operações e Resiliência (COR), o prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que a implantação do novo sistema marcará o fim da operação da Transportes Paranapuan, empresa responsável pelo atendimento da Ilha do Governador. Segundo ele, a mudança integra o processo de reestruturação do transporte público na cidade. A Paranapuan já havia perdido, neste ano, a operação da linha 634 (Bananal–Saens Peña), que passou a ser administrada pela Mobi-Rio.
A nova etapa do Sistema RIO contempla cinco lotes e faz parte de um cronograma de reformulação do transporte municipal que deverá ser concluído até 2028. O modelo substituirá os atuais consórcios por uma operação dividida em 34 lotes, ampliando a participação e o controle da prefeitura sobre o serviço. Segundo a administração municipal, o objetivo é aplicar ao sistema de ônibus a mesma lógica de gestão utilizada no BRT, com maior fiscalização, uso de tecnologia e monitoramento em tempo real.
A distribuição da frota também será ampliada nas regiões contempladas. Em Santa Cruz e Guaratiba, o número de linhas passará de 17 para 19, enquanto a frota crescerá de 207 para 311 ônibus. Em Campo Grande e Guaratiba, serão 23 linhas, ante 21 atuais, e 291 veículos, frente aos 174 em operação hoje. Em Bangu, a frota aumentará de 273 para 404 ônibus, com ampliação de 28 para 29 linhas. Já em Ilha do Governador e Vila Isabel, o sistema passará de 17 para 19 linhas e de 160 para 241 ônibus. Na Ilha do Governador, especificamente, haverá reorganização operacional, com redução de 19 para 17 linhas, mas aumento da frota de 93 para 173 veículos.
Os novos ônibus serão 100% zero quilômetro e contarão com ar-condicionado, piso baixo nos veículos básicos, rampas de acesso, sensores de temperatura, carregadores USB e USB-C, GPS integrado ao Centro de Controle Operacional, botão de emergência para o motorista, painéis eletrônicos de informação aos passageiros e câmeras internas de segurança. A frota seguirá o padrão ambiental Euro VI, capaz de reduzir em até 80% a emissão de poluentes, e permitirá o uso de combustíveis e tecnologias de menor impacto ambiental, como gás natural, biometano e ônibus elétricos. As empresas que optarem por veículos elétricos terão remuneração 12% superior à dos demais operadores.
Outra novidade será a utilização de quatro garagens públicas, localizadas na Ilha do Governador, Maré, Senador Vasconcelos e Cosmos, destinadas aos futuros concessionários. De acordo com a prefeitura, a medida busca ampliar a concorrência, reduzir barreiras para novos operadores e fortalecer o controle público sobre o sistema. A remuneração das empresas passará a considerar o quilômetro rodado e indicadores de qualidade medidos pelo Índice de Qualidade do Transporte (IQT).
A primeira etapa do Sistema RIO começou em março deste ano, com contratos para operação em Campo Grande e Santa Cruz, onde a frota passará de 104 para 376 ônibus. Antes mesmo das novas concessões entrarem em vigor, a prefeitura informa que já incorporou mais de 350 ônibus zero quilômetro ao sistema municipal. A sessão pública da licitação da segunda etapa está marcada para o dia 28 de agosto, às 11h, na sede da Procuradoria-Geral do Município (PGM), no Centro do Rio.
Fonte: Diário do Rio.



