O processo de liquidação patrimonial da extinta Viação Itapemirim avança para uma nova etapa com a realização de um leilão judicial que reúne parte significativa dos bens imobiliários da tradicional empresa de transporte rodoviário. Ao todo, mais de 20 imóveis localizados nos estados do Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais e Bahia foram colocados à venda por determinação da Justiça.
Os ativos fazem parte da massa falida do Grupo Itapemirim, cuja falência foi decretada em setembro de 2022, e incluem uma ampla variedade de propriedades utilizadas ao longo da operação da companhia. Entre os bens disponíveis estão garagens de ônibus, terrenos urbanos, áreas industriais, imóveis comerciais, residências e propriedades rurais que integravam a estrutura operacional da empresa.
O Espírito Santo, estado onde a Itapemirim foi fundada em 1953, concentra a maior parte dos imóveis ofertados. Um dos destaques do certame é uma área de aproximadamente 18 hectares localizada no bairro Presidente Arthur da Costa e Silva, em Cachoeiro de Itapemirim, cidade que deu origem à empresa. O complexo reúne cerca de 2.120 metros quadrados de edificações e foi utilizado como uma das principais bases operacionais da companhia.
Além dos imóveis capixabas, o leilão inclui propriedades em outras regiões estratégicas onde a empresa manteve atividades ao longo de décadas. Em São Paulo, por exemplo, estão sendo ofertados terrenos em Guarulhos, além de um imóvel comercial em Aparecida. Há também bens distribuídos por municípios da Bahia e de Minas Gerais, reforçando a abrangência nacional da antiga estrutura da transportadora.
Segundo informações divulgadas pelo setor responsável pela alienação dos ativos, os imóveis remanescentes colocados à venda possuem avaliação próxima de R$ 30 milhões. O leilão foi autorizado pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e corresponde à chamada segunda praça, modalidade em que os bens podem receber lances com condições mais flexíveis em relação à primeira tentativa de venda.
A reportagem ressalta que este certame envolve exclusivamente imóveis e não inclui o aguardado leilão das marcas Itapemirim, das linhas interestaduais, dos guichês rodoviários e dos ônibus remanescentes da empresa, cujo processo ainda está em análise judicial. A proposta para venda desses ativos operacionais segue sob avaliação do Ministério Público, da ANTT e do Cade.
Fundada por Camilo Cola, a Viação Itapemirim foi durante décadas uma das maiores empresas de transporte rodoviário de passageiros da América Latina, conectando centenas de cidades brasileiras. O leilão dos imóveis representa mais um capítulo do processo de encerramento definitivo das atividades do grupo.
A segunda praça do leilão está aberta até a segunda-feira (30), quando se encerra o recebimento de lances para os 22 imóveis remanescentes da massa falida do Grupo Itapemirim. Os bens estão distribuídos entre Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os interessados podem participar pela internet, por meio da plataforma oficial do leilão judicial responsável pela venda dos ativos. Para apresentar propostas é necessário realizar cadastro prévio, enviar a documentação exigida pelo sistema e aceitar as condições previstas no edital judicial. Os lances são registrados eletronicamente e acompanhados em tempo real.
Entre os imóveis ofertados está o antigo complexo operacional da empresa em Cachoeiro de Itapemirim (ES), cidade onde a Viação Itapemirim foi fundada. Apenas esse imóvel possui valor de avaliação superior a R$ 21 milhões, podendo receber lances a partir de aproximadamente R$ 10,6 milhões na segunda praça.
Os editais também informam que alguns imóveis podem admitir formas específicas de pagamento previstas pela Justiça, incluindo hipóteses de parcelamento, dependendo do lote e das condições determinadas no processo. Cada interessado deve consultar individualmente o edital correspondente ao imóvel desejado antes de ofertar lance.
Vale destacar que este leilão envolve somente imóveis da massa falida. A venda das marcas Itapemirim, dos guichês rodoviários, dos ônibus remanescentes e das 125 linhas interestaduais ainda depende de análise judicial e de pareceres de órgãos como a ANTT, o Cade e o Ministério Público.
Fonte: Ônibus & Transporte; Diário do Transporte.




