A construção da EF-118, ferrovia estratégica que conectará o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, já desperta forte interesse de investidores nacionais e internacionais. Pelo menos quatro grandes grupos empresariais manifestaram interesse em participar do leilão que definirá quem ficará responsável pela implantação e operação do empreendimento, previsto para ocorrer em outubro deste ano.
Segundo informações divulgadas pela Tribuna, entre os interessados estão a espanhola Acciona, a estatal chinesa Power China e um consórcio formado pelas gestoras 4UM (antiga J. Malucelli) e Opportunity. A movimentação reforça a relevância da ferrovia, considerada um dos principais projetos de infraestrutura logística atualmente em desenvolvimento no país.
A EF-118 deverá formar um novo corredor ferroviário no Sudeste, conectando áreas industriais, polos produtores e importantes complexos portuários dos estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. O traçado terá ligação com os portos de Vitória e do Rio de Janeiro, além de permitir conexões futuras com outras estruturas portuárias estratégicas, como o Porto de Ubu, em Anchieta, o Porto Central, em Presidente Kennedy, e os portos fluminenses do Açu, Barra do Furado e Imbetiba, dependendo da viabilidade técnica dessas integrações.
O Ministério dos Transportes informou que o projeto tem atraído o interesse de empresas brasileiras e estrangeiras, que vêm participando de reuniões técnicas e acompanhando a evolução da modelagem da concessão. Para ampliar a concorrência, o governo federal promove apresentações do projeto para investidores, operadores ferroviários e potenciais parceiros por meio de encontros e roadshows realizados no Brasil e no exterior.
Uma das mudanças mais importantes na estrutura do projeto envolve o chamado Ramal Anchieta, trecho que ligará Santa Leopoldina ao Porto de Ubu. Inicialmente previsto para ser executado pela Vale, o ramal passará a integrar diretamente a concessão da EF-118. Os recursos necessários para sua implantação deverão vir da repactuação dos contratos ferroviários da mineradora, reduzindo o volume de investimentos que precisará ser realizado pela futura concessionária.
Outro fator que pode aumentar a atratividade econômica da ferrovia é uma nova linha de crédito em desenvolvimento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em conjunto com o Ministério dos Transportes. A proposta prevê financiamentos com prazo de até 40 anos, oferecendo condições mais favoráveis para grandes projetos ferroviários.
O projeto é considerado fundamental para ampliar a competitividade logística do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, permitindo maior integração entre ferrovias e portos e fortalecendo o transporte de cargas entre as regiões produtoras e os mercados consumidores nacionais e internacionais.
Fonte: Tribuna Online




