O que Salvador pode aprender com a Itália sobre velocidade e segurança no trânsito

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Artigo escrito por Fabrizzio Muller

Participei, na semana passada, da minha terceira Velo-city Conference, em Rimini, na Itália — um dos principais encontros mundiais sobre mobilidade ativa. E, entre todos os debates, um tema se impôs com força: a redução dos limites de velocidade nas áreas urbanas.

Como ex-secretário de Mobilidade, afirmo sem hesitar: essa é uma das medidas mais eficazes que uma cidade pode adotar. O objetivo central é direto — diminuir mortes e feridos no trânsito. Mas a experiência internacional mostra que os ganhos vão muito além: menos emissões de poluentes, menos congestionamentos, menos ruído e menor consumo de combustível. Velocidade mais baixa significa uma cidade mais segura, mais eficiente e com melhor qualidade de vida.

O exemplo de Bolonha é definitivo. Em apenas três anos, a cidade implantou o modelo “Cidade 30”, estabelecendo 30 km/h como velocidade predominante em boa parte de sua malha viária. E aqui vai um alerta para o Brasil: antes da mudança, o limite já era de 50 km/h — patamar inferior ao que ainda praticamos em muitas das nossas cidades. Partimos de um ponto bem mais distante da segurança.

Há ainda um aspecto decisivo. Em Bolonha, como em tantos outros casos europeus, a transformação não veio apenas do poder público — foi a própria sociedade que se mobilizou e passou a cobrar um trânsito mais seguro e humano. Cidades seguras não surgem por acaso: são resultado de escolhas coletivas, liderança política e da coragem de reduzir velocidades.

Salvador já provou que sabe avançar. Ampliamos a rede cicloviária entre 2013 e 2025 e deixamos como legado o Plano Municipal Cicloviário. Mas avanços não se sustentam na inércia.

A pergunta que fica é incômoda e necessária: até quando vamos aceitar como normal um trânsito que mata, quando o mundo já mostrou o caminho para evitá-lo?

Reduzir velocidades não depende apenas de gestores públicos — depende de uma sociedade que cobre, pressione e apoie mudanças. Cada cidadão que exige ruas mais seguras está, na prática, contribuindo para salvar vidas.

Esse é o momento de Salvador escolher de que lado quer estar. Porque uma cidade segura não se espera: se constrói. E, antes de tudo, se exige.

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