Trilhos chineses aceleram Transnordestina

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A chegada de trilhos importados da China permitiu concluir, em fevereiro de 2026, a estrutura física da Ferrovia Transnordestina, projeto de 1.209 quilômetros que liga Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Pecém, no Ceará, atravessando ainda Pernambuco. Após quase duas décadas de obras, o empreendimento entrou em fase de testes operacionais e se aproxima da etapa final de implantação.

O último carregamento chegou ao Brasil pelo Complexo Portuário do Pecém, trazendo aproximadamente 33,9 mil toneladas de trilhos produzidos na China. O material foi transportado pelo navio Spruce Arroz e inclui cerca de 23 mil barras de aço de 24 metros, que ainda passarão por soldagem antes da instalação definitiva na ferrovia.

Segundo a Transnordestina Logística S/A (TLSA), os trilhos recebidos garantem material suficiente para concluir 100% da via férrea, considerada uma das maiores obras de infraestrutura logística do Nordeste brasileiro. O projeto já recebeu cerca de R$ 8,2 bilhões em investimentos desde sua criação, em 2006.

A ferrovia foi concebida para transformar o escoamento da produção agrícola e mineral nordestina. O corredor ferroviário deve transportar principalmente grãos, minérios, gesso, combustíveis e contêineres, reduzindo custos logísticos e diminuindo a dependência do transporte rodoviário na região.

As obras avançam principalmente no Ceará, onde o projeto já atingiu cerca de 80% de execução física, segundo dados divulgados em março de 2026. No Piauí, o trecho entre Eliseu Martins e São Miguel do Fidalgo segue em implantação.

A conclusão da infraestrutura coincide com o avanço da presença chinesa no setor ferroviário brasileiro. A gigante estatal CRRC, uma das maiores fabricantes ferroviárias do mundo, também anunciou a instalação de uma fábrica em Araraquara (SP), ampliando a participação chinesa na cadeia ferroviária nacional.

A expectativa é que a Transnordestina aumente a competitividade do agronegócio nordestino, reduza custos de exportação e fortaleça o Porto do Pecém como eixo estratégico de comércio exterior. O projeto também é visto como fundamental para reorganizar a logística regional em uma área historicamente dependente de rodovias.

Fonte: Click Petróleo e Gás / TLSA / Governo do Piauí

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