Por Emerson Pereira – Foto Reprodução SóMob
Inaugurado em setembro de 2022, o BRT de Salvador começou a operar com três linhas: B1 (Rodoviária x Estação Pituba), B2 (Rodoviária x Praça Nossa Senhora da Luz) e B3 (Rodoviária x Pituba, via Avenida Paulo VI). A proposta inicial era clara: oferecer um sistema mais rápido, organizado e com potencial de expansão para outras áreas estratégicas da capital.
No entanto, passados quase quatro anos desde a implantação, o crescimento do sistema tem ocorrido de forma gradual e limitada. As expansões mais recentes se concentraram entre 2024 e 2025, com a entrada em operação da linha B4 (Lapa x Estação Pituba), em abril de 2024, e da B5 (Lapa x Shopping da Bahia), em dezembro do mesmo ano. Já a linha B2, que inicialmente tinha como destino a Praça Nossa Senhora da Luz, foi ampliada em março de 2025 até o bairro do Rio Vermelho.
Apesar dessas atualizações, o avanço do sistema ainda se mantém restrito a corredores já atendidos ou regiões próximas, sem alcançar novas áreas mais distantes da cidade. Esse padrão reforça a percepção de que o BRT ainda não conseguiu expandir sua presença de forma mais abrangente dentro de Salvador.
Um dos principais pontos de atenção é a linha B6 (Lapa x Aeroporto, via orla). Inicialmente prevista para entrar em operação no final de 2025, a expectativa foi posteriormente ajustada para o primeiro semestre de 2026, mas até agora sem uma data definida. A indefinição se torna ainda mais evidente ao observar a própria orla da cidade: no trecho entre o Rio Vermelho e Itapuã, não há sinais claros de preparação para a operação no modelo BRS, como faixas exclusivas, sinalização específica ou estruturas de parada adequadas.
Durante a apuração desta reportagem, a Secretaria de Mobilidade (Semob) foi procurada para atualizar o planejamento da linha B6, mas não houve retorno até a conclusão do texto.
Além disso, já foram mencionadas, em diferentes momentos, possíveis expansões do BRT em direção à Estação Pirajá, com projeções que apontam para 2028. Ainda assim, diante do ritmo atual e da ausência de um processo contínuo e visível de implantação, essas perspectivas acabam sendo recebidas com desconfiança.
O BRT de Salvador nasceu com a promessa de ser um dos pilares da transformação da mobilidade urbana na cidade. Quase quatro anos depois, o sistema apresenta avanços pontuais, mas ainda distantes de uma expansão estrutural que permita ampliar seu impacto no dia a dia da população. Sem um cronograma mais claro, intervenções visíveis e uma estratégia consistente de crescimento, o risco é que o BRT permaneça como um corredor eficiente — porém limitado — dentro de uma cidade que demanda soluções em escala muito maior.



