Foto Montagem SóMob
Neste 29 de março, Salvador celebra 477 anos de fundação consolidando-se como uma das cidades mais importantes do país — não apenas por sua história e cultura, mas também por sua complexa dinâmica urbana. Ao longo das décadas, a mobilidade acompanhou o crescimento da capital baiana, alternando entre avanços estruturais e gargalos que ainda impactam diretamente a rotina dos soteropolitanos.
Foi ainda na década de 1960 que o sistema de transporte público por ônibus passou a ser implantado de forma mais estruturada, substituindo gradativamente modelos anteriores e acompanhando o processo de urbanização acelerada. Já a partir dos anos 1970, Salvador entrou em um ciclo contínuo de expansão viária, com a abertura de grandes avenidas que moldaram o deslocamento urbano e permitiram a conexão entre áreas cada vez mais distantes.
Nas últimas décadas, a cidade deu passos importantes na diversificação dos modais. A implantação do Metrô de Salvador representou uma mudança significativa na matriz de transporte, oferecendo maior capacidade e regularidade em parte dos deslocamentos. Paralelamente, o sistema de ônibus passou por reformulações, sendo rebatizado como Integra e incorporando, desde 2019, veículos com ar-condicionado — uma demanda histórica diante do clima local.
Mais recentemente, Salvador passou a contar também com o BRT Salvador, ampliando as alternativas de transporte estruturado em corredores exclusivos. Ainda assim, o sistema como um todo segue enfrentando desafios relevantes.
Apesar dos avanços, a eficiência do transporte público ainda está aquém do necessário para atender plenamente a população. Problemas como superlotação, longos intervalos e cobertura insuficiente em determinadas regiões evidenciam a necessidade urgente de ampliação da frota e da oferta de linhas. Além disso, especialistas apontam para a importância de investimentos mais consistentes em veículos de maior capacidade, como ônibus articulados e biarticulados, como estratégia para reduzir a sobrecarga nos horários de pico.
Outro aspecto singular da mobilidade em Salvador é a presença de soluções adaptadas à sua geografia. A cidade mantém equipamentos como o Elevador Lacerda, além de planos inclinados e ascensores urbanos que conectam diferentes níveis da cidade. No transporte hidroviário, a ligação entre a Ribeira e Plataforma por meio de embarcações reforça a diversidade modal presente na capital.
Aos 477 anos, Salvador carrega uma mobilidade marcada por contrastes: ao mesmo tempo em que acumula avanços importantes em infraestrutura e integração, ainda convive com limitações que impactam diretamente a qualidade de vida da população. O aniversário da cidade, portanto, é também um convite à reflexão sobre o futuro — e sobre a urgência de transformar o transporte público em um sistema mais eficiente, digno e compatível com a dimensão da capital baiana.



