Tarifa de ônibus de Salvador sobe para R$ 5,90 e mantém capital entre as mais caras do país

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Por Emerson Pereira – Foto Montagem SóMob

A tarifa do transporte coletivo por ônibus em Salvador passará a custar R$ 5,90 a partir da próxima segunda-feira (5). O reajuste foi anunciado pela Prefeitura, que argumenta que o percentual aplicado é inferior ao observado em outras capitais brasileiras, onde os aumentos variam entre 6% e 20%, segundo levantamentos amplamente divulgados pela imprensa nacional.

O novo valor será válido ao longo de todo o ano de 2026 e se aplicará aos ônibus urbanos do sistema Integra, além dos serviços do BRT e do STEC. A gestão municipal reforça que, por meio do cartão eletrônico, o usuário pode utilizar até três desses modais, além do Metrô, pagando apenas uma tarifa, em razão do sistema de integração.

Apesar do argumento comparativo, Salvador deve seguir figurando entre as capitais com as tarifas mais elevadas do país. O aumento reacende críticas recorrentes dos usuários quanto à qualidade do serviço prestado. Desde a incorporação dos ônibus climatizados, em 2019, a percepção de melhora não se consolidou de forma uniforme. Nas redes sociais, seguem frequentes as reclamações sobre superlotação, intervalos longos entre viagens e o estado de conservação de parte da frota em circulação.

Outro ponto que gera questionamentos é a falta de transparência nos processos de avaliação do sistema. Recentemente, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) realizou uma pesquisa de satisfação com os usuários, mas, pelo segundo ano consecutivo, os resultados não foram divulgados oficialmente à imprensa, o que limita o debate público qualificado sobre o desempenho do transporte coletivo na cidade.

Também chama atenção a comparação com sistemas de outras capitais e até de cidades do interior baiano. Enquanto Salvador mantém majoritariamente uma frota composta por ônibus convencionais e micro-ônibus no sistema Integra, modelos de maior capacidade, como veículos trucados e articulados, seguem ausentes, apesar de serem amplamente utilizados em capitais brasileiras e em municípios como Feira de Santana e Vitória da Conquista. Para muitos usuários, essa escolha operacional contribui para a superlotação e reforça a percepção de defasagem do sistema frente às demandas reais da cidade.

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