Por Emerson Pereira – Foto Arisson Marinho/Correio*
A crescente violência em Salvador tem impactado fortemente o sistema de transporte público da cidade. Entre janeiro e agosto de 2025, dezenas de bairros enfrentaram interrupções no serviço de ônibus, com 73 ocorrências registradas até agosto, de acordo com um levantamento. As suspensões, motivadas por episódios de insegurança, afetam diretamente milhares de usuários que dependem do transporte coletivo para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais.
Números que preocupam
O bairro de Tancredo Neves lidera o ranking de interrupções, com sete registros no período. Logo depois aparecem Engenho Velho da Federação (6), Mussurunga (5), Vale das Pedrinhas (5) e Vila Verde (5).
Outros bairros também enfrentaram paralisações frequentes, como Engomadeira (4), Fazenda Coutos (3), Arenoso (3), Santa Cruz (3), Nordeste de Amaralina (3), Cajazeiras 11 (3), além de Águas Claras, Jardim Santo Inácio e Mata Escura, com duas ocorrências cada.
A lista completa soma 35 localidades afetadas por algum tipo de interrupção, incluindo Cassange, São Cristóvão, Sussuarana, Bairro da Paz, Cajazeiras 8, Alto de Coutos, Morada da Lagoa, Areia Branca, Rio Sena, Coração de Maria, Fazenda Grande 1 e 4, Calabetão, Bom Juá, Bosque das Bromélias, São Marcos e Pirajá, todas com ao menos um registro no período.
Suspensões recentes agravam o cenário
A insegurança continua interferindo no funcionamento do transporte coletivo. Nesta semana, os bairros de São Marcos, Barroquinha, Vale das Pedrinhas, Santa Cruz e Nordeste de Amaralina tiveram o serviço de ônibus total ou parcialmente suspenso após novos episódios de violência. Na última quarta-feira, dia 8, um ônibus do Consórcio Plataforma foi incendiado enquanto fazia a linha 0720 – Vale das Pedrinhas x Vila Ruy Barbosa.
As empresas que operam o sistema afirmam que as suspensões são adotadas como medida de segurança para resguardar a integridade de motoristas, cobradores e passageiros. No entanto, a interrupção repentina do serviço tem causado grandes transtornos à população, que se vê obrigada a recorrer a transportes alternativos, muitas vezes mais caros e menos seguros.
Impactos diretos e cobrança por soluções
As paralisações afetam a rotina de milhares de trabalhadores e estudantes, além de comprometer o acesso a hospitais e serviços públicos. O cenário evidencia a falta de segurança nas comunidades e reforça a necessidade de ações integradas entre órgãos de transporte e segurança pública.
Apesar das operações policiais pontuais, os dados de 2025 indicam que a violência segue impondo restrições ao direito de ir e vir dos soteropolitanos — um reflexo preocupante da vulnerabilidade social e da ausência de políticas de proteção efetivas para o transporte urbano.




