Licitação pode trazer novos modelos de ônibus para Salvador em 2026 e quebrar hegemonia da Caio

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Por Emerson Pereira – Foto Ícaro Chagas

A licitação aberta pela Prefeitura de Salvador para aquisição de 226 novos ônibus urbanos pode representar uma mudança significativa no perfil da frota do sistema Integra. Desde a implantação do modelo integrado em 2015, a capital baiana se consolidou como um reduto da encarroçadora paulista Caio Induscar. O domínio só foi quebrado pontualmente em 2015, quando a Comil forneceu veículos, e em 2019 e 2020, com a chegada de unidades da extinta Neobus.

Agora, o cenário pode ser diferente. O edital prevê veículos de até 14 metros de comprimento, três portas de acesso, ar-condicionado e motorização dianteira, características que ampliam o leque de opções para além do tradicional Apache VIP, líder absoluto no mercado nacional. O Sómob levantou os potenciais concorrentes da Caio nessa disputa e analisou os pontos fortes e fracos de cada marca.

Marcopolo: tradição, mas defasagem no urbano

A gaúcha Marcopolo é uma gigante no transporte rodoviário e domina o segmento com a linha G8. No entanto, no mercado urbano, seu modelo Torino perdeu espaço nos últimos anos. A última atualização significativa ocorreu há mais de uma década, o que deixa o veículo em desvantagem tecnológica e de custo. Apesar disso, a capacidade produtiva da Marcopolo e sua presença consolidada no país podem pesar em uma eventual proposta competitiva.

Mascarello: espaço interno e preço competitivo

Com participação tímida em Salvador, a Mascarello busca ampliar sua presença no setor urbano. O GranVia, em sua geração mais recente, tem recebido elogios em capitais brasileiras por oferecer um dos melhores aproveitamentos de espaço interno da categoria, além de um preço mais atrativo em relação a Caio e Marcopolo. O desafio da marca será quebrar a resistência do mercado soteropolitano, historicamente concentrado em outras encarroçadoras.

Comil: preço baixo, mas imagem arranhada

A Comil aposta no Svelto, seu modelo urbano que, embora apresente custo mais baixo, é considerado defasado. Em 2015, a empresa teve participação expressiva ao fornecer ônibus para as extintas CSN, Plataforma e OT Trans, mas os veículos ganharam fama de problemáticos, principalmente em durabilidade e resistência à operação intensa de Salvador. O fator preço, no entanto, pode recolocar a fabricante gaúcha no radar.

Caio Induscar: liderança em risco?

Detentora da preferência histórica das empresas do Integra, a Caio enfrenta atualmente limitações na sua capacidade produtiva, o que tem causado atrasos e entregas em pequenos lotes. Ainda assim, o Apache VIP 5 mantém a reputação de robustez, confiabilidade e facilidade de manutenção — atributos valorizados em um sistema de alta demanda como o de Salvador. A tradição e a familiaridade das operadoras locais com o modelo são trunfos importantes, mas o preço pode ser um obstáculo diante da concorrência.

Disputa pelo menor preço

Como o edital será definido pelo menor preço, Salvador pode presenciar uma quebra de hegemonia em 2026. Enquanto Comil e Mascarello apostam em preços mais competitivos, a Marcopolo tem a seu favor escala de produção e histórico de confiabilidade. Já a Caio deve confiar em sua reputação para manter a supremacia, mesmo com riscos logísticos.

O resultado dessa licitação pode redesenhar a frota da cidade e marcar a retomada da diversidade de fabricantes no transporte público soteropolitano, rompendo uma década de predominância quase absoluta da Caio.

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