Crescimento do transporte irregular expõe fragilidades do sistema Integra

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Por Emerson Pereira – Foto Reprodução SóMob

O transporte clandestino segue avançando em Salvador, consolidando-se como um sistema extraoficial de mobilidade, especialmente nas regiões periféricas. Enquanto a fiscalização da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) se concentra em pontos estratégicos como o Centro Empresarial Iguatemi e o Aeroporto, vans e outros veículos irregulares ampliam sua área de atuação em bairros distantes do centro, muitas vezes sem qualquer tipo de controle.

No Subúrbio Ferroviário e na Liberdade, cooperativas operam respaldadas por liminares judiciais, o que dificulta a ação fiscalizadora. Nessas regiões, o transporte irregular já se confunde com o cotidiano dos moradores, atendendo áreas que o sistema regular cobre de forma insuficiente. Em locais como a Estrada de Campinas, próxima a Marechal Rondon, clandestinos chegam a manter uma espécie de “final de linha” improvisado, funcionando à vista do poder público, sem qualquer intervenção efetiva.

A fragilidade do sistema Integra, que deveria garantir conexões eficientes e cobertura ampla, alimenta esse cenário. Ônibus lotados, atrasos e linhas deficitárias abrem espaço para que operadores irregulares ofereçam viagens mais rápidas ou diretas, ainda que com riscos. Parte da frota clandestina circula em péssimo estado de conservação, e há casos de motoristas flagrados sem habilitação, o que eleva o risco de acidentes.

A Semob mantém operações de combate, mas suas ações mais frequentes têm como alvo a Cooperativa Linha Branca, no Iguatemi, e motoristas de carros de passeio no Aeroporto. Nas áreas mais distantes, a presença fiscalizatória é esporádica, o que fortalece a atuação de grupos que operam fora das regras.

A experiência de Cajazeiras mostra que o fortalecimento do transporte regular pode reverter esse quadro. Até alguns anos atrás, a ligação Cajazeiras–São Cristóvão era dominada por uma grande operação clandestina. A situação mudou com o fortalecimento da linha 1073 Cajazeiras 11 x Est. Mussurunga e a criação da 1036 Cajazeiras 8 x Est. Mussurunga, que aumentaram a oferta de viagens e reduziram a demanda por serviços ilegais nesse trecho.

Especialistas apontam que a reorganização de itinerários e a criação de novas linhas que atendam diretamente a regiões hoje negligenciadas podem ser um passo decisivo para diminuir o espaço do transporte clandestino. Ao ampliar a cobertura e melhorar a frequência dos ônibus, a cidade reduz a dependência da população por serviços inseguros e irregulares.

O avanço do transporte clandestino em Salvador evidencia um desequilíbrio: onde o sistema oficial falha, o paralelo prospera. A solução passa menos por ações pontuais de repressão e mais por investimentos estruturais, ampliando rotas, garantindo regularidade e oferecendo um transporte público que realmente atenda às necessidades da população.

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