Por Emerson Pereira – Foto Divulgação Marcopolo
A Marcopolo, tradicional fabricante brasileira de carrocerias de ônibus, deu um passo estratégico ao entregar as primeiras unidades do novo modelo Torino com 15 metros de comprimento e dois eixos dianteiros direcionais. Os veículos foram destinados a uma operadora de transporte urbano em Caxias do Sul (RS) e chegam ao mercado como uma solução voltada ao aumento da capacidade e eficiência operacional em cenários urbanos complexos.
O modelo é montado sobre um chassi Volkswagen, classificado no setor como “super ônibus”. O destaque técnico fica por conta da dupla direção frontal, uma configuração incomum que oferece benefícios significativos: maior manobrabilidade em vias estreitas e congestionadas, além de um ganho considerável na capacidade de passageiros — tudo isso sem a necessidade de um terceiro eixo traseiro.
Internamente, o Torino 15 metros é equipado com 47 poltronas estofadas, capacidade para mais de 100 passageiros, tomadas USB, sistema de ventilação Citvent e preparação para ar-condicionado. Seu motor segue o padrão Euro 6, alinhado às exigências ambientais atuais.

Do ponto de vista operacional, o modelo promete reduzir custos e ampliar a eficiência. Com consumo de combustível semelhante ao de um ônibus convencional de 12,5 metros, ele é capaz de transportar cerca de 20% mais passageiros. Soma-se a isso a motorização dianteira — amplamente difundida e de manutenção mais simples — e um custo de aquisição inferior ao dos modelos articulados, que são mais longos, pesados e exigem maior investimento em infraestrutura.
O Torino de 15 metros surge, portanto, como uma solução intermediária: mais capacidade do que um ônibus convencional, sem os altos custos dos veículos articulados. Essa proposta atende especialmente a cidades que enfrentam alta demanda, mas que ainda não diversificaram sua frota com veículos de maior porte.
No caso de Salvador, onde muitas linhas operam no limite da capacidade, ônibus com esse perfil poderiam representar um avanço significativo. Apesar do potencial, a capital baiana ainda não testou o novo modelo da Marcopolo. Linhas de fluxo intenso como a 1637 – Mirantes de Periperi x Imbuí, 0125 – Pq. São Cristóvão x Terminal da França, 1034 – Pq. São Cristóvão x Barroquinha, 1386 – Nova Brasília x Barra, 1419 – Boca da Mata x Pituba, além dos chamados LBs (ligações Lapa–Barra), são exemplos claros de linhas soteropolitanas que se beneficiariam com esse tipo de veículo. Para esses corredores, o “Super Torino” cairia como uma luva.



