Demanda por eletricidade volta a crescer na Europa, impulsionada por carros elétricos e data centers

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Consumo de energia na União Europeia caiu 9% entre 2008 e 2023, mas voltou a subir; expansão da recarga ultrarrápida pressiona a infraestrutura de distribuição.

A demanda por eletricidade na União Europeia voltou a crescer após anos de queda, impulsionada por fatores como a expansão dos veículos elétricos, a instalação de sistemas de ar-condicionado e a multiplicação de data centers. Segundo o levantamento citado pela publicação, o consumo recuou 9% entre 2008 e 2023 e passou a apresentar uma tendência de alta mais constante há pouco mais de um ano.

O avanço dos carros elétricos ajuda a explicar a mudança. Mais de um quarto dos carros novos vendidos no continente já é totalmente elétrico, de acordo com o texto. Os híbridos plug-in também contribuem para o aumento do consumo, embora utilizem menos eletricidade que os modelos exclusivamente elétricos. A alta dos preços dos combustíveis e as tensões no Oriente Médio também influenciam o cenário energético.

A retração da indústria europeia tem ajudado a compensar parte da demanda adicional. A redução das operações de grandes fabricantes, especialmente na Alemanha, diminuiu o consumo industrial. Esse equilíbrio, porém, pode mudar caso a atividade se recupere ou novas fábricas sejam instaladas na região. Ao mesmo tempo, governos europeus buscam ampliar a geração de energia, com projetos envolvendo fontes renováveis, usinas a gás e energia nuclear.

Um dos principais desafios está na distribuição, e não apenas na geração. A conexão de novas usinas à rede exige infraestrutura adequada, incluindo transformadores, equipamentos cuja oferta pode não acompanhar o crescimento da demanda. Especialistas citados pela reportagem estimam que o consumo de eletricidade deverá avançar 3,5% ao ano, aumentando a pressão sobre os sistemas de transmissão e distribuição.

A recarga ultrarrápida de veículos elétricos também exige atenção. Embora a energia necessária para abastecer as baterias possa estar disponível ao longo de várias horas, fornecer dezenas de quilowatts-hora em poucos minutos demanda uma potência muito maior. Isso pode exigir reforços na rede e limitar a instalação de carregadores em locais com capacidade elétrica insuficiente.

A tecnologia de recarga da BYD, com potência anunciada de até 1.500 kW, ilustra esse desafio. Estações desse tipo podem concentrar uma demanda elevada em um único ponto, comparável à de um conjunto residencial. A expansão da mobilidade elétrica, portanto, depende não só da disponibilidade de energia, mas também de investimentos para adaptar a infraestrutura ao ritmo e à potência do consumo.

Fonte: Xataka