Vídeos de garagens com coletivos estacionados e relatos de passageiros ampliam debate sobre a operação na Região Metropolitana de Salvador; Agerba afirma que sistema funcionou com toda a frota disponível.
Por Emerson Pereira – Foto Reprodução
Os problemas no transporte público registrados durante o segundo turno das eleições, no domingo (25), não ficaram restritos a Salvador. Vídeos aéreos enviados à redação do SóMob e relatos de passageiros também levantaram questionamentos sobre a operação dos ônibus metropolitanos, que atendem a municípios como Lauro de Freitas, Simões Filho e Camaçari.
As imagens mostram garagens com grande quantidade de veículos estacionados, cenário que chamou a atenção diante das reclamações de usuários sobre a disponibilidade de ônibus durante o dia de votação. Ao longo do domingo, seguidores procuraram a redação do SóMob para relatar dificuldades nos deslocamentos entre municípios da Região Metropolitana.
Os registros, porém, não permitem determinar, isoladamente, quantos veículos estavam efetivamente fora de operação nem se havia descumprimento da oferta prevista. A situação exige esclarecimentos dos responsáveis pelo sistema e a análise dos horários e das condições de circulação dos coletivos.
Transporte metropolitano também foi alvo de reclamações
A repercussão dos problemas em Salvador levou o debate sobre a oferta de ônibus para além dos limites da capital. Enquanto a operação do sistema Integra enfrentava atrasos e retenção de veículos em garagens, passageiros também relataram dificuldades para utilizar linhas metropolitanas.
A responsabilidade pela regulação do transporte metropolitano intermunicipal é da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), vinculada ao governo estadual. A operação das linhas é realizada pelas empresas responsáveis pelos serviços.
Em Lauro de Freitas, a prefeitura publicou conteúdo destacando a oferta de transporte público gratuito durante as eleições. Posteriormente, a administração municipal esclareceu que o transporte metropolitano não está sob sua responsabilidade, mas é regulado pela Agerba.
A divisão de competências, contudo, não elimina a necessidade de esclarecer as reclamações dos passageiros. Para quem depende dos ônibus, a prioridade é conseguir chegar ao local de votação, independentemente do município de origem ou do órgão responsável pela linha.
Agerba afirma que sistema operou com toda a frota disponível
Em balanço divulgado nesta segunda-feira (26), a Agerba afirmou que o sistema de transporte metropolitano operou com toda a frota disponível durante o fim de semana eleitoral. Segundo a agência, mais de 110 mil passageiros foram transportados no domingo.
De acordo com o órgão, algumas linhas que atendem à região de Itapuã registraram demanda acima do habitual. O aumento teria ocorrido porque usuários recorreram aos ônibus metropolitanos para se deslocar durante a interrupção temporária do transporte municipal de Salvador.
A agência também informou que o Terminal de Águas Claras registrou grande movimentação, mas não houve filas para embarque nos terminais Aeroporto, Mussurunga e Águas Claras.
Os dados apresentados pela Agerba oferecem uma versão oficial sobre a operação do sistema. Ainda assim, o balanço não esclarece individualmente as reclamações recebidas pelo SóMob nem permite concluir, apenas com base nas imagens das garagens, se houve falhas pontuais na oferta de determinadas linhas.
Problemas em Salvador e na Região Metropolitana exigem esclarecimentos
Na capital baiana, a operação dos ônibus foi marcada por atrasos na saída de parte da frota, denúncias de retenção de veículos e uma disputa em torno da adesivação de coletivos com material de propaganda eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento integral da frota municipal durante a votação.
O episódio também provocou fiscalizações do Procon-BA e questionamentos sobre as responsabilidades da Prefeitura de Salvador e das empresas concessionárias. A gestão municipal atribuiu os atrasos a ocorrências envolvendo adesivos eleitorais e informou posteriormente que a operação havia sido normalizada.
Na Região Metropolitana, os relatos de passageiros e as imagens de garagens reforçam a necessidade de verificar se a oferta de transporte correspondeu à demanda durante o pleito. A apuração deve considerar as informações oficiais, os registros operacionais e as experiências dos usuários.
Independentemente das diferenças entre as responsabilidades municipais e estaduais, o transporte público precisa ser planejado para atender à população em um dia de votação. A gratuidade, por si só, não garante o acesso às urnas quando há dificuldades para encontrar veículos ou cumprir os deslocamentos previstos.
O episódio deixa uma questão central para as autoridades responsáveis: esclarecer as ocorrências registradas, verificar a oferta efetiva de ônibus e garantir que os passageiros de Salvador e da Região Metropolitana não sejam prejudicados por falhas de planejamento ou de operação.



