Carros híbridos chineses mudam mercado espanhol e ganham espaço entre os mais vendidos

0
10

Modelos de BYD, Chery, MG e outras fabricantes asiáticas já ocupam posições de destaque entre híbridos convencionais e plug-in vendidos na Espanha em 2026

A chegada de novas fabricantes chinesas transformou o mercado de veículos eletrificados da Espanha em 2026, especialmente no segmento de híbridos plug-in. Cinco dos dez modelos mais vendidos nessa categoria são de marcas chinesas, enquanto os veículos híbridos convencionais também passaram a ter representantes entre os líderes de vendas.

BYD e Chery estão à frente desse movimento, acompanhadas por marcas como MG, Geely, Changan e GWM. A estratégia combina veículos elétricos, híbridos convencionais e híbridos plug-in, ampliando a oferta para consumidores que buscam eletrificação sem abrir mão do motor a combustão em viagens mais longas.

Entre os dez híbridos plug-in mais vendidos no país, dois são da BYD — Atto 2 DM-i e Seal U DM-i — e três pertencem à Chery, por meio das marcas Ebro e Omoda: Ebro S700, Omoda 7 e Omoda 9. Nos híbridos convencionais, MG ZS e Omoda 5 também aparecem entre os dez primeiros. Considerando os 30 modelos eletrificados mais vendidos, 11 são de fabricantes chinesas.

O avanço foi rápido. No fim de 2024, apenas dois modelos chineses apareciam entre os dez híbridos plug-in mais vendidos: MG EHS e BYD Seal U. No ano seguinte, os dois já haviam assumido as primeiras posições, acompanhados pelo Jaecoo 7. Em 2026, o BYD Seal U acumula 7.445 unidades e caminha para encerrar o ano com um volume várias vezes superior ao registrado em 2024.

Parte da expansão está relacionada à combinação de preço, equipamentos, espaço e autonomia elétrica. Muitos dos híbridos plug-in chineses oferecem mais de 100 quilômetros de alcance exclusivamente elétrico, especialmente em uso urbano. Isso permite reduzir o consumo de combustível no dia a dia sem eliminar a possibilidade de utilizar o motor a combustão em deslocamentos longos.

A tecnologia também ganhou espaço em razão das limitações dos carros elétricos para consumidores que fazem viagens frequentes. Veículos totalmente elétricos com autonomia mais elevada exigem baterias maiores e, consequentemente, tendem a custar mais. Na faixa abaixo de 40 mil euros, os híbridos plug-in chineses passaram a oferecer uma alternativa intermediária entre os elétricos e os modelos convencionais.

A diferença pode ser significativa no custo de uso. Em um cenário de carregamento doméstico noturno, um veículo elétrico que consome de 12 a 16 kWh a cada 100 quilômetros pode gastar entre 1,20 e 1,60 euro para percorrer essa distância. Um carro a gasolina com consumo de 7 litros por 100 quilômetros chegaria a cerca de 14 euros, enquanto um híbrido convencional que faça 5 l/100 km ficaria próximo de 10 euros.

O avanço chinês também está relacionado à estratégia das próprias fabricantes. Enquanto muitas marcas tradicionais concentraram investimentos nos elétricos para atender às exigências europeias de emissões, empresas chinesas chegaram com modelos desenvolvidos desde o início para funcionar como híbridos plug-in. Isso permite aproveitar melhor o espaço interno e oferecer configurações que ainda têm poucos concorrentes diretos entre as fabricantes tradicionais.

Modelos como o BYD Seal U, com amplo espaço interno e autonomia elétrica superior a 100 quilômetros, o Atto 2 DM-i, de proposta mais acessível, e o Omoda 9, que combina sistema híbrido com potência superior a 500 cv, representam diferentes estratégias para conquistar consumidores. O Omoda 7 e o Ebro S700 ampliam a oferta em outras faixas do mercado.

A expansão não se limita aos modelos que já lideram os rankings. O Geely Starray EM-i, recém-chegado ao mercado, terminou agosto como o terceiro híbrido plug-in mais emplacado naquele mês. Outras marcas chinesas, como Changan e GWM, também ampliam sua presença e preparam novos produtos para disputar espaço no mercado espanhol.

O cenário indica uma mudança na forma como a indústria chinesa está entrando na Europa. Em vez de apostar exclusivamente nos veículos 100% elétricos, as fabricantes encontraram nos híbridos plug-in uma porta de entrada para ampliar participação, conquistar consumidores e consolidar suas marcas. Com híbridos convencionais e modelos de menor custo também ganhando espaço, a disputa tende a se intensificar nos próximos anos.

Fonte: Xataka Brasil

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here