Foto: Tiago Medina
Trecho de 1,5 km foi implantado em 2016 e está parcialmente sem sinalização após requalificação do pavimento da rua Mariante
Uma ciclovia de 1.510 metros na rua Mariante, em Porto Alegre, foi parcialmente coberta durante uma obra de requalificação do pavimento e, até o momento, não há uma data definida para que a sinalização cicloviária seja refeita. O trecho integra a chamada segunda perimetral da capital gaúcha e conecta a ciclovia da Vasco da Gama à avenida Protásio Alves e ao parque Moinhos de Vento.
A intervenção foi executada pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Smsurb) e concluída em agosto. Após o novo asfaltamento, parte da ciclovia deixou de estar identificada e o espaço já passou a ser utilizado por alguns motoristas para estacionamento. Segundo a Prefeitura de Porto Alegre e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), a infraestrutura cicloviária será retomada após a conclusão dos serviços, com nova sinalização entre a rua Castro Alves e a avenida Protásio Alves.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a ausência de uma estrutura provisória durante a obra pode aumentar a exposição de ciclistas ao trânsito. Paula Santos, gerente de mobilidade urbana do WRI Brasil, afirma que seria possível reservar uma faixa temporária para bicicletas, com equipamentos móveis e sinalização específica. Para a pesquisadora Jennifer Domeneghini, doutora em planejamento urbano e regional pela UFRGS, o período após o término do asfaltamento exige atenção porque os motoristas tendem a deixar de adotar cuidados adicionais relacionados à obra.
A ciclovia da Mariante foi implantada em janeiro de 2016, com segregação física entre bicicletas e veículos. Dados da EPTC indicam que a média anual de sinistros na via caiu de 103 entre 2010 e 2015 para 55 entre 2016 e 2025. A média anual de pessoas feridas também diminuiu, de 15 para 11. Segundo as especialistas, os números podem indicar uma relação entre a infraestrutura cicloviária e a segurança no trecho, embora sejam necessárias análises específicas para estabelecer essa relação.
Ao mesmo tempo, a rua registrou em 2026 o maior número de pessoas acidentadas nos primeiros sete meses do ano desde o início da série histórica da EPTC, em 2010. Foram 37 registros entre janeiro e julho, contra 30 no mesmo período de 2025 e 27 em 2024. Neste ano, um ciclista ficou ferido em um sinistro ocorrido em fevereiro, antes do início das obras. Em 2025, dois ciclistas estiveram entre as 17 pessoas feridas em ocorrências na via.
A situação ocorre em um contexto de expansão lenta da infraestrutura cicloviária de Porto Alegre. O Plano Diretor Cicloviário Integrado, aprovado em 2009, previa uma rede de 495 quilômetros, mas a cidade possui atualmente menos de 90 quilômetros de ciclovias. Uma emenda incorporada ao novo Plano Diretor, sancionado em 2026, também permite a revisão de ciclovias e estruturas destinadas ao transporte coletivo. Apesar disso, a Prefeitura afirma que a ciclovia da Mariante será reimplantada, com pintura horizontal, novas travessias, organização das faixas e reforço da sinalização vertical. Um trecho entre a Travessa Helena Sperotto e a rua Cabral permanece em funcionamento porque não passou pela última etapa de pavimentação.
Fonte: Mobilize Brasil / Pensar a Cidade



