BRT chega à Orla com a B6, mas expansão coloca infraestrutura à prova

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Nova linha conecta Lapa a Patamares e leva o sistema BRT para as proximidades do Costa Azul, Pituaçu e Boca do Rio; trecho sem faixa exclusiva será um dos principais desafios da operação

Por Emerson Pereira – Foto Bruno Concha/PMS

O BRT Salvador dá mais um passo em sua expansão territorial nesta quarta-feira (9), com o início da operação da linha B6 – Lapa x Patamares. O novo serviço amplia a presença do sistema em direção à Orla e cria uma ligação direta entre a região da Lapa e bairros como Costa Azul, Pituaçu e Boca do Rio, chegando até Patamares.

A novidade representa um movimento importante para um sistema que, desde sua implantação, vem avançando gradualmente para além dos corredores originalmente estruturados para receber o BRT. Mas a chegada à Orla também traz uma questão que merece atenção: até que ponto é possível expandir o BRT sem que a infraestrutura acompanhe essa expansão?

Inicialmente, a B6 funcionará em operação assistida, uma espécie de fase de testes destinada a avaliar o comportamento da linha e realizar os ajustes necessários. O serviço será realizado das 9h às 16h, com intervalo de 10 minutos entre os ônibus.

BRT chega à Orla sem corredor exclusivo

No trecho entre a Lapa e as proximidades da Avenida Manoel Dias da Silva, a B6 utilizará a infraestrutura exclusiva já existente do BRT. A partir dali, porém, a realidade muda.

Entre as imediações da Praça Nossa Senhora da Luz e Patamares, não há, neste momento, uma intervenção viária que garanta uma faixa exclusiva ou segregada para os ônibus do sistema. Com isso, a B6 será operada no formato BRS (Bus Rapid Service), compartilhando a via com os demais veículos.

É justamente nesse trecho que está um dos principais desafios da nova linha.

Um dos fundamentos de um sistema BRT é oferecer ao transporte coletivo condições operacionais superiores às do tráfego convencional, principalmente por meio da prioridade viária. Quando o ônibus deixa o corredor exclusivo e passa a disputar espaço com carros, motocicletas e outros veículos, sua velocidade e regularidade passam a depender diretamente das condições do trânsito.

Isso pode ser especialmente relevante em uma região como a Orla, que apresenta elevada circulação de veículos e variações significativas no fluxo ao longo do dia.

O modelo, entretanto, não é novidade em Salvador. As linhas B2 e B3 já operam em trechos compartilhados, utilizando o conceito de BRS para ampliar o alcance do sistema onde ainda não existe infraestrutura exclusiva.

Expansão operacional precisa vir acompanhada de infraestrutura

A B6 é positiva justamente porque mostra que o BRT pode desempenhar um papel mais amplo na mobilidade de Salvador. A chegada a Patamares e a integração com bairros da Orla aumentam o território atendido pelo sistema e podem criar novas possibilidades de deslocamento para quem utiliza o transporte coletivo.

Mas a expansão da operação também evidencia um desafio estrutural.

Não basta levar o ônibus do BRT para novos lugares. É preciso garantir que ele tenha prioridade nesses novos corredores.

A ausência de infraestrutura exclusiva entre a Avenida Manoel Dias e Patamares faz com que parte da experiência proporcionada pelo BRT seja perdida justamente no momento em que o sistema amplia seu alcance.

É uma questão que vai além da B6. À medida que Salvador amplia a atuação do BRT, será necessário discutir também novas intervenções viárias, faixas exclusivas, prioridade semafórica e outras soluções capazes de preservar a eficiência do transporte coletivo fora dos corredores já estruturados.

A operação assistida da B6 poderá ser importante para medir esse impacto na prática. A observação dos tempos de viagem, regularidade, velocidade operacional e comportamento da demanda deverá indicar se o modelo atual é suficiente ou se novas medidas serão necessárias para garantir o desempenho esperado.

Um novo território para o BRT

A chegada da B6 à Orla deve ser vista, portanto, como mais do que a criação de uma nova linha.

É um teste para o próprio conceito de expansão do BRT Salvador.

O sistema começa a avançar para áreas onde a infraestrutura dedicada ainda não chegou. Isso permite ampliar rapidamente a cobertura do modal, mas também cria o risco de transformar trechos de BRT em linhas convencionais caso a prioridade ao transporte coletivo não seja preservada.

A expansão para Patamares é um passo importante. O próximo desafio será fazer com que a infraestrutura acompanhe o crescimento da operação.

Afinal, se o BRT quer ocupar um papel cada vez maior na mobilidade de Salvador, não basta aumentar o número de linhas e os destinos atendidos. É preciso também aumentar a capacidade de o ônibus se movimentar pela cidade com prioridade, velocidade e regularidade.

A B6 começa a operar nesta quarta-feira. E, junto com ela, começa também um novo capítulo da expansão do BRT Salvador na Orla.

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