O lançamento do novo Volkswagen ID.9X na China provocou uma troca pública de críticas entre executivos da indústria automobilística. Após a apresentação do SUV pela joint venture SAIC-Volkswagen, um executivo da fabricante chinesa Li Auto ironizou a adoção da tecnologia de autonomia estendida (EREV) pela montadora alemã, classificando-a como uma solução que a própria Volkswagen havia considerado ultrapassada anos atrás.
Segundo reportagem do Terra Mobilidade, licenciada do Xataka, o ID.9X será o primeiro SUV topo de linha da Volkswagen-SAIC equipado com um sistema de autonomia estendida, combinando um ou dois motores elétricos com um motor 1.5 turbo a gasolina, cuja função é exclusivamente gerar eletricidade para alimentar as baterias, sem tracionar diretamente as rodas. O modelo disputará mercado com veículos como Zeekr 9X, Li Auto L9 e IM LS9.
O motor gerador utilizado no SUV é derivado da família EA211 1.5T EVO II e incorpora tecnologias como turbocompressor de geometria variável, ciclo Miller e sistema de injeção direta com pressão de 350 bar, recursos desenvolvidos para aumentar a eficiência energética e reduzir as emissões.
A apresentação do modelo levou o gerente de mídias sociais da Li Auto a publicar uma mensagem sarcástica nas redes sociais: “Parabéns à Volkswagen por produzir em massa com sucesso uma tecnologia que é ‘obsoleta, muito prejudicial ao meio ambiente e com pouco potencial de desenvolvimento’ em apenas seis anos.” A declaração faz referência direta a críticas feitas pela própria Volkswagen à tecnologia EREV em 2020.
Na época, executivos da Volkswagen China afirmaram que os veículos de autonomia estendida representavam uma solução transitória, com baixo potencial de evolução e impacto ambiental inferior ao esperado. A Li Auto contestou essas declarações, defendendo que seus veículos ofereciam consumo reduzido, boa experiência de condução e vantagens em relação aos SUVs convencionais movidos apenas a combustão.
Após a provocação, o vice-presidente executivo de vendas e marketing da SAIC-Volkswagen respondeu de forma diplomática, agradecendo “os esforços de todos os profissionais automotivos chineses” e afirmando que o trabalho conjunto contribuirá para o avanço da indústria automotiva.
O episódio evidencia a rápida transformação do mercado chinês de veículos eletrificados. A tecnologia EREV, antes vista com reservas por parte de algumas fabricantes tradicionais, ganhou forte aceitação entre consumidores chineses graças à combinação entre autonomia elevada e menor dependência da infraestrutura de recarga. Diante desse cenário, montadoras globais passaram a incorporar soluções semelhantes em seus novos produtos para permanecer competitivas no maior mercado automotivo do mundo.
Fonte: Terra Mobilidade, com informações do Xataka.



