Inaugurado em novembro de 1996, terminal tornou-se um dos principais pontos de integração do transporte coletivo da capital baiana e símbolo da mobilidade urbana nos anos 1990 e 2000
Por Emerson Pereira – Foto Acervo Transalvador
Inaugurada em novembro de 1996, a Estação de Transbordo do Iguatemi rapidamente se consolidou como um dos locais mais movimentados de Salvador. Durante o fim da década de 1990 e os primeiros anos dos anos 2000, o equipamento tornou-se um dos principais polos de circulação de passageiros da cidade. Localizada estrategicamente entre a antiga Rodoviária de Salvador e o Shopping Iguatemi — na época o principal centro de compras da capital baiana —, a estação passou a desempenhar um papel fundamental na integração do sistema de transporte coletivo.
A localização privilegiada transformava o terminal em um verdadeiro elo entre diferentes regiões de Salvador. Além de conectar bairros de praticamente todas as áreas da capital, a estação facilitava o acesso à rodoviária e ao maior centro comercial da cidade naquele período, concentrando diariamente milhares de passageiros.
Poucos bairros de Salvador não possuíam uma linha de ônibus que passasse pela Estação do Iguatemi. O terminal reunia veículos de praticamente toda a cidade, tornando-se um dos principais pontos de encontro do sistema de transporte coletivo e referência para quem precisava realizar deslocamentos entre diferentes regiões.
Um dos diferenciais da Estação de Transbordo do Iguatemi em relação às demais estações de transbordo existentes em Salvador era o seu modelo operacional. Enquanto outros terminais funcionavam como ponto inicial ou final de diversas linhas, onde os ônibus permaneciam estacionados para cumprir horários de saída, o Iguatemi operava como um terminal de passagem.
Na prática, os coletivos acessavam a estação para embarque e desembarque de passageiros e, logo em seguida, davam continuidade ao itinerário normal, sem permanecerem parados realizando controle operacional. Esse formato garantia grande rotatividade de veículos, mas também exigia atenção constante dos passageiros.
Era justamente essa dinâmica que produzia uma das cenas mais características do local: passageiros correndo para alcançar os ônibus antes que eles deixassem as plataformas. Como os veículos permaneciam pouco tempo na estação, bastavam alguns segundos de distração para perder a viagem.
Outro fator que contribuía para a eficiência do terminal era a faixa exclusiva de ônibus da Ligação Iguatemi–Paralela (LIP). O corredor permitia que os coletivos escapassem dos congestionamentos registrados nas avenidas da região, oferecendo um acesso mais rápido à estação e melhorando a fluidez do transporte coletivo.
Entretanto, o intenso volume de linhas e passageiros fazia com que, em determinados horários, até mesmo a via exclusiva registrasse retenções. Não era raro ver filas de ônibus aguardando espaço para acessar as plataformas, evidenciando a importância que a estação possuía para a operação do transporte urbano da capital.
Além da intensa movimentação de passageiros, outro importante gerador de viagens era o Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), que funcionava nas dependências da estação. Diariamente, milhares de pessoas utilizavam o terminal para acessar serviços públicos, ampliando ainda mais o fluxo de usuários e reforçando o papel estratégico do equipamento na mobilidade de Salvador.
Mesmo após as transformações ocorridas no sistema de transporte da cidade ao longo dos anos, a Estação de Transbordo do Iguatemi permanece na memória de milhares de soteropolitanos como um dos maiores símbolos da mobilidade urbana da capital. Para muitos, o terminal representou uma época em que praticamente toda Salvador passava pelo Iguatemi em algum momento do dia.
As imagens históricas utilizadas nesta reportagem foram gentilmente cedidas pela Transalvador, que mantém um importante acervo fotográfico sobre a evolução do trânsito e do transporte em Salvador.




